Review | Ikaruga

O nível de dificuldade nos games é muito variado dentro de cada gênero. Porém, alguns são naturalmente difíceis, em especial os shoot ’em ups (“jogos de navinha”). Ao mesmo tempo que possibilitam uma jogatina casual, exigem extrema dedicação para chegar ao final. A variação de jogabilidade dentro do gênero é um pouco limitada, mas sempre aparecem algumas ideias novas que dão destaque a alguns títulos. Dentre eles, temos Ikaruga.

Lançado para arcades em 2001 (e posteriormente para Dreamcast, GameCube, Xbox Live Arcade, Android e PC), o jogo reúne excelentes ideias aliadas à parte técnica impecável. O visual é lindo, os controles são funcionais e a jogabilidade bem intuitiva. A trilha sonora, como é de praxe dentro do gênero shoot ‘em up, merece grande destaque, e serve de combustível para o jogador se aventurar por cada fase.

A estética e jogabilidade giram em torno do preto e do branco. Sua nave tem a capacidade de se polarizar em uma dessas cores, influenciando em toda a dinâmica do jogo. Por exemplo, a nave branca absorverá todos os tiros brancos, e aplicará o dobro de dano aos inimigos pretos. Ao eliminar um inimigo branco, ele libera vários tiros dessa cor (o que não ocorre ao eliminar naves pretas). Ao absorver tiros da mesma cor, sua nave acumula energia que poderá ser liberada em forma de uma poderosa rajada. Mudando a polarização de sua nave, estas regras se aplicam ao contrário.

A mudança de polarização traz possibilidades muito interessantes e dará um nó em sua cabeça. Até porque Ikaruga segue uma das regras mais básicas dos shoot ‘em ups: é difícil pra caramba. Sim, você vai morrer muito. Um mar de tiros cobrirá a tela, e sua pequena nave terá que procurar os pequenos espaços para desviar e, ao mesmo tempo, mudar de cor para absorver alguns. Tudo isso enquanto atira nos inimigos. Não é à toa que muitos jogos deste gênero são denominados Bullet Hell (Inferno de Balas), nome que dispensa explicações.

Ikaruga é considerado um dos melhores shoot ‘em ups já criados, e não é difícil entender o motivo. A parte técnica é impecável, trilha sonora envolvente, jogabilidade diferenciada, gráficos belíssimos, enfim, a Treasure fez um excelente trabalho, sendo difícil apontar um defeito (lembrando que o jogo foi feito por apenas três pessoas). Talvez a dificuldade seja muito elevada, às vezes até injusta, obrigando o jogador a repetir a fase até decorar a movimentação e tiros dos inimigos. Quem não gosta de desafios, passe longe. Quem curte sofrer um pouco, jogue!