Review | Metal Gear Solid: Peace Walker

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Costa Rica, 1974. Um grupo militar com armamentos nucleares se estabelece no país. Para evitar que essa organização cause problemas a nível mundial, Big Boss é convocado para expulsar a organização do país. No decorrer da trama, a palavra “paz” terá mais significados do que o de costume.

Metal Gear Solid: Peake Walker (PW) é uma evolução direta de Portable Ops (PO). O estilo de jogabilidade, administração de tropas e seleção de missões, tudo remete ao exclusivo do PSP. Entretanto, Peace Walker é superior em todos os aspectos, a começar pelos gráficos, mais bonitos e com melhor iluminação. Os cenários estão infinitamente mais elaborados, sem aqueles vazios que predominavam em PO. A câmera melhorou muito, permanecendo em ângulo fixo quando o personagem se movimenta. A história também é muito mais interessante e possui mais elementos que irão refletir na cronologia futura.

Por outro lado, o jogo aproveitou algumas boas ideias de PO. O minimapa é idêntico. As cutscenes mantiveram-se semi-estáticas com ilustrações do artista Ashley Wood, o mesmo das HQs de Metal Gear Solid, com adição de alguns quick time events. O jogo continua dividido em missões, de forma mais organizada e separando em principais e opcionais. No decorrer das missões, Snake poderá recrutar novos aliados da forma mais delicada possível: deixando o inimigo inconsciente ou à beira da morte e prendendo-o a um balão para ser apanhado por um helicóptero aliado. Bizarro, só que muito mais prático que arrastar o corpo até um caminhão. O recrutamento ficou muito mais rápido e dinâmico, não havendo necessidade de parar a missão e ficar minutos arrastando o inimigo.

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Entre as missões, Snake voltará à Mother Base para administrar os recrutas. Os aliados poderão ser alocados nos setores de engenharia (para desenvolver novas armas e equipamentos), comida (garantindo a alimentação da base), médico (para recuperar aliados feridos em batalhas), inteligência (captar informações) e, claro, na frente de combate. Só é possível utilizar um soldado por missão. As principais serão executadas por Big Boss, enquanto que as opcionais poderão ser feitas pelos recrutas.

Antes de cada missão, deve-se escolher os equipamentos a serem carregados. Aqui fizeram um meio-termo entre PO e os outros Metal Gear Solid. É possível carregar uma quantidade limitada de itens e apenas três armas. Felizmente, quando há um chefe na missão, o jogo retornará à Mother Base para escolhermos os equipamentos adequados. Este era um dos grandes defeitos de PO: só era possível carregar 4 coisas, dentre armas, itens e munições. Não havia como saber se teria um chefe na missão, sendo que uma escolha errada de armas e equipamentos impossibilitaria a vitória.

A dinâmica das missões dá uma boa fluidez ao jogo, tendo grande variedade de cenários. Em algumas missões, determinados caminhos estarão fechados, que deverão ser tomados em missões futuras. E, diferente de PO, as missões são relativamente longas, especialmente as batalhas de chefes. Isso traz uma dificuldade cruel. Não raro, você estará quase no fim da missão ou a um passo de matar o chefe, após 15 ou 20 minutos de gameplay… e morre. Checkpoint? Nada disso, volte ao início e faça tudo de novo. Este jogo não te ama. Lide com isso. Mesmo diante desta crueldade, a diversão é garantida. Houve um balanço perfeito entre o aspecto casual (divisão em missões) e hardcore (dificuldade moderada e ausência de checkpoints).

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Um dos pontos fracos de Portable Ops foi as ausências de vozes nas conversas via Codec, além da quantidade de falas ter sido reduzida absurdamente. Este problema foi resolvido com folga em Peace Walker. Durante as missões, o Codec lhe dará falas breves e restritas ao seu objetivo da missão. O volume de conteúdo estará entre as missões. São dezenas de transmissões entre Snake e seus aliados, todas com vozes. E, para nossa alegria, são conversas de assuntos pertinentes às missões e outros totalmente “inúteis”, mas que trazem um aprofundamento dos personagens, do cenário mundial, dos acontecimentos fora do jogo, dentre outras coisas. A riqueza dessa parte é assustadora.

Este jogo mostrou a diferença que Hideo Kojima faz na direção. O nível de cuidado, a qualidade do conteúdo, as ideias da história e jogabilidade, tudo é muito superior a Portable Ops. A comparação é inevitável, pois ambos os jogos são originários do PSP. Peace Walker é um tremendo divisor de águas para a franquia, tanto que The Phantom Pain seguiria os moldes desse jogo, dividido em missões, poucas falas via Codec durante as missões e toneladas de fitas para ouvir. Tirando algumas decisões equivocadas de game design (principalmente a forma de conseguir o final verdadeiro), Peace Walker é um baita jogo. É uma boa pedida antes de se aventurar no Ground Zeroes e The Phantom Pain. Disponível para PSP, PS3 e Xbox360.

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