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Review | The Surge

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Um Dark Souls sci-fi. Fim do review.

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Calma, não é tão simples assim. E talvez você tenha ignorado este jogo por achar que se trata de uma cópia genérica e sem alma (com o perdão do trocadilho). Para nossa alegria, não. O jogo, desenvolvido pela Deck13, tem muita personalidade e elementos surpreendentes.

A essência do jogo é inspirada em Dark Souls: cada arma possui um ataque rápido e outro forte, é possível defender (com a própria arma, e não com escudos), o local para subir de nível recupera sua vida e faz todos os inimigos reaparecerem, suas almas (aqui, sucatas) ficam no local que você morrer para serem recuperadas, barra de vida e estamina, esquiva... sim, jogabilidade e parte do game design são iguais, mas a execução fez The Surge se tornar um jogo próprio.

Primeiramente, o jogo se passa nos dias atuais, em uma espécie de fábrica. É o primeiro dia de trabalho do protagonista que, vejam só, é um cadeirante. Durante os primeiros minutos controlamos o personagem na cadeira de rodas até chegar na mesa de implantes cibernéticos, onde será incorporado um exoesqueleto mecânico. O mais interessante é que, ao invés de ser um momento bonito e comovente, vemos é um show de horrores, com máquinas fixando parafusos na carne esguichando sangue. Após alguns segundos desse açougue tecnológico, temos um pequeno salto de tempo, e o personagem acorda em uma área externa com ruínas da fábrica. O personagem agora pode andar (e enfiar a porrada!) graças ao exoesqueleto. Resta agora descobrir o que aconteceu.

O jogo é competente para te ensinar os comandos e detalhes. E com poucos minutos já percebemos que não se trata de um mero Dark Souls sci-fi. O ritmo dos combates é bem mais acelerado, apesar da grande maioria dos inimigos possuírem um padrão de movimentos facilmente memorizáveis. Mesmo assim, o jogo mantém uma dificuldade acima da média. É preciso manter a atenção a todo momento, pois qualquer vacilo pode ser fatal.

Um dos elementos mais impressionantes do jogo é o level design. São verdadeiros labirintos complexos e muito verticais onde os caminhos vão se interligando ao longo da aventura. Apesar de ser enfadonho em algumas partes, essa complexidade é digna de nota.

Ao matar os inimigos (na maioria humanos com armaduras cibernéticas), você acumula sucata para subir de nível ou melhorar os equipamentos. Aqui a dinâmica é bem interessante. Você tem espaços para colocar implantes que deixam seu personagem mais forte ou com alguma habilidade. Por exemplo,um implante que aumenta sua vida dará mais pontos a cada nível que seu personagem tiver. Com isso, faz-se uma mistura de implante com o nível do personagem. Implantes melhores darão mais pontos por nível, e assim você evolui o personagem.

Os equipamentos e armas, além da sucata, também precisam de peças específicas, que são adquiridas matando os inimigos. São peças de armaduras e armas. Nas batalhas, inclusive, é possível mirar em uma parte específica do corpo do inimigo. Partes sem armadura dão mais dano, mas se preferir atacar partes protegidas, suas chances de adquirir peças aumenta.

Existe uma boa variedade de equipamentos. As armas possuem três características principais: impacto, velocidade e afinidade. Armas rápidas têm menos impacto e dano, enquanto as lentas são mais fortes. Outras são médias no impacto e velocidade. O impacto ajuda a atordoar o inimigo enquanto você bate nele. Quanto mais você utiliza um tipo de arma, o nível de afinidade aumenta. Esse nível pode influenciar muito ou pouco no dano, dependendo da característica de cada uma. Já as armaduras reduzem o dano e podem aumentar ou diminuir consumo de estamina e velocidade dos golpes.

Além das já conhecidas barras de vida e estamina, temos ainda a barra de energia. Ela aumenta ao aplicar dano nos inimigos. Essa energia pode ser gasta ao utilizar drones de auxílio ou para finalizar inimigos que sofreram muito dano. A finalização, além de matar, aumenta as chances de receber alguma peça para futuros upgrades de equipamentos. Além disso, pode vir um projeto de equipamento ou um equipamento propriamente dito.

Um dos pontos negativos, como já mencionado, é o level design complexo que fica confuso e cansativo em alguns momentos. Por isso é necessário explorar bem os cenários e prestar atenção nos caminhos. A variedade de inimigos poderia ser um pouco maior, apesar de não ser tão baixa. Mesmo alguns com movimentos iguais, há mudança nos equipamentos, o que modifica a força de cada um. A maioria dos inimigos têm tamanho humano normal, eliminando aquele padrão consagrado do Dark Souls: inimigo grande, com golpes extremamente fortes e de longo alcance. Aqui a porrada é mais franca, mesmo que alguns tenham força exagerada e te mate com um dos dois golpes. E claro, aqueles momentos onde inimigos aparecem aos montes, tornando a primeira tentativa naquele local uma morte miserável e quase injusta.

The Surge me surpreendeu positivamente, mostrando-se um jogo divertido, bem feito e com identidade. Existem muitos elementos que o tornam viciante, que dará vontade de tentar mais uma vez... e mais uma... e lá se vão duas ou três horas. Uma boa pedida aos fãs de jogos do estilo Souls e também para quem quer adentrar nesse mundo de lágrimas, frustração e muito amor.

Almighty

Ainda moleque, descobriu a existência de bons livros, mesmo com a escola mostrando o contrário em suas leituras obrigatórias. Na adolescência, começou a ouvir heavy metal e posteriormente aprendeu que a boa música não se resume a esse (ótimo) estilo. Formado em Direito.
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