Resenha | A Corrente – Passe Adiante – Estevão Ribeiro (1)

correntecapaUm livro nacional que, a princípio, não me chamou atenção alguma quando o vi e que não fez muito quanto a isso enquanto eu seguia na leitura. Porém, convencido de que poderia me surpreender, apostei e comprei. Dessa forma, me deparei com uma obra repleta de sangue, mortes criativas, pesadelos e cenários assombrados com descrições físicas muito boas, mas que se perde na intenção de apenas colocar medo, aparentando assim ser apenas um roteiro genérico de algum filme de terror.

A leitura desse livro foi basicamente como assistir O Massacre da Serra Elétrica (a versão “nova”) quando o que você realmente desejava era ver Os Outros. As descrições físicas dos espaços, do sangue jorrando e das mortes grotescas são excelentes, mas senti que faltou aquela profundidade dos filmes de suspense que te deixam inteiramente tenso, com muito pouco foco naquilo que os personagens estão sentindo – medo, pavor, dedos trêmulos, silêncio opressor, visão turva, suor frio, calafrios, arrepios (e assim vai…) -, enquanto se prende mais no terror/horror das cenas, deixando de lado o suspense da atmosfera.

Os personagens são interessantes, mas se você – assim como eu -, tiver um histórico razoável de filmes de terror, vai encontrar o desfecho do livro logo no começo. Pois, mesmo que a história seja diferente das outras, há muita similaridade na maneira que a história decorre, deixando assim uma sensação de que você já conhece aquilo, fazendo assim com que a empolgação se limite a certos pedaços da obra, ao invés de se estender por toda leitura. Muitas vezes tive a impressão de estar lendo a mesma coisa várias vezes, e isso foi um dos aspectos que mais me incomodou.

O final não decepciona, mas também não surpreende. A parte mais interessante do livro é a história da antagonista, que é quando você realmente se perde na leitura e ela – enfim – começa a fluir, porque após isso você quer saber mais e mais sobre o que aconteceu e qual é o mistério que a envolve. Nesse aspecto, o autor soube muito bem como guiar os acontecimentos e manter esse mistério até o final.

Dito isso, não posso afirmar que não gostei do livro, independente dos vários pontos negativos já citados. Não é uma história mal contada, nem com problemas de continuidade e acontecimentos contextualmente desagradáveis. Porém, me deixou com a evidente sensação de que esse é um livro para ser assistido ao invés de lido, seja pelo seu ritmo, pela história em si ou pela maneira que é contada.

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Texto de autoria de Thiago Suniga.