Resenha | Como Andar no Labirinto – Affonso Romano

como-andar-no-labiritndo-affonso-romano-de-santannaComo Andar no Labirinto é uma coleção de crônicas escritas por Affonso Romano de Sant’Anna, poeta, cronista e ensaísta brasileiro. Publicado pela LP&M POCKET em setembro de 2012 sob o número de coleção 1073, o livro traz um apanhado de 65 textos publicados originalmente entre 2001 e 2011, em diversos veículos da imprensa brasileira.

As crônicas versam pelos assuntos mais diversos, entre textos contemplativos da arte e do cotidiano, análises da nossa sociedade pós-moderna, confluência das artes com o dia-a-dia no mundo, críticas e opiniões sócio-comportamentais, algumas estórias das andanças do autor pelo mundo e sua paixão por seu estado natal, Minas Gerais. Textos que passam sinceridade nos convidando para uma reflexão do que foi abordado.

Por ser uma obra com diversos textos opinativos, naturalmente haverá a concordância e a discordância do leitor com o autor, com visões de mundo e preceitos que divergem, mas acredito que esse seja um dos papéis da crônica, não apenas informar, mas colocar o “tempero” do cronista, usando para fazer a sua crítica ou contar a sua história cotidiana, elementos de prosa, lirismo ou poesia. Sendo então textos curtos, estes nunca esgotam ou vão a fundo em uma questão específica, mas podem gerar naquele que o lê a centelha do debate e discussão daquelas ideias apresentadas, seja por achar coerente o ponto de vista ou encontrar uma opinião totalmente divergente.

Evocando em muitos textos esse sentimento de reflexão, Como Andar no Labirinto, não é um livro para se ler de cabo a rabo de uma vez, mas sim para degustar alguns textos diariamente, e como o próprio autor clama em um de seus escritos, não deglutir a informação, mas digeri-la mastigando aos poucos e aproveitando todas as nuances que a obra pode lhe oferecer.

Interessante também notar a organização dos textos, que pelo menos num primeiro olhar, não tem uma sequência lógica, dividida em capítulos ou por datas, nada disso. Mas de alguma forma subjetiva eles apresentam uma fluidez sequencial, sem nenhum tema central, mas com pontos orgânicos que se comunicam subliminarmente. Talvez demonstrando um pouco dos labirintos que formam a nossa sociedade e complexidade humana, e que tanto fascinam o autor. Permitindo com que textos sobre “Recortes da Vida” e a “Redescoberta da Lentidão” façam o mesmo sentido relacional tanto lado a lado como em qualquer ordem apresentada.

O vasto currículo e premiada obra de Affonso Romano de Sant’Anna dispensam qualquer elogio quanto a sua capacidade e fluência de escrita. Encerrando assim, uma boa indicação para um livro, que não se pretende muito além de questionar e refletir, como se isso fosse pouco.

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