[Resenha] Fúria Vermelha (Trilogia Red Rising) – Pierce Brown

Furia Vermelha - capa - Globo Livros

Tenho um caso sério de amor com as distopias clássicas e, na esperança de encontrar um material que faça jus a elas, tenho me aventurado em muitas das distopias adolescentes que tem feito sucesso. Fúria Vermelha tem muito em comum com elas, porém é muito mais complexa ao se aprofundar sem medo nas reflexões sociais que propõe.

Pierce Brown, em seu livro de estréia, constrói um cenário crível, detalhando uma sociedade organizada em castas e que coloca a conquista espacial como objetivo maior. O livro que inaugura a trilogia Red Rising, começa nos apresentando os Vermelhos, casta responsável pelo duro trabalho de tornar Marte habitável. Eles são a base da pirâmide social vivendo provações em que as crianças amadurecem cedo.

Darrow, o protagonista, tem apenas 16 anos, mas já é um homem casado e ocupa posição de destaque na sociedade por ser um “mergulhador do inferno”, elite entre os mineradores, já que sua posição exige destreza e coragem. Seu recorte da sociedade é dividido em tribos, sendo a sua chamada Lykos. A ambição maior da tribo de Lykos é conquistar a láurea, prêmio delegado à tribo que mais extrair minério, e que concede comida extra e alguns parcos luxos a seus ganhadores. Há muito Lykos não a conquista, perdendo sempre para os Gama.

Ao contrário de Darrow, que só vê se foca no objetivo imediato de ganhar a láurea para melhorar a vida de sua família, Eo, sua esposa, questiona toda a organização social em que estão inseridos. Ela quer que seus filhos ainda não nascidos sejam capazes de escolher o tipo de vida que almejam, e tenham ambições maiores do que se tornar um “mergulhador do inferno” ou conquistar a láurea.

Além dos vermelhos, que são responsáveis pela mineração, limpeza das cidades e outras atividades consideradas indignas, o livro nos apresenta algumas outras castas:

  • Os ouros: elite da raça humana, e soberana que governa e comanda a expansão do império espacial.
  • Os pratas: responsável pela polícia e cargos menores no exército (chamados carinhosamente pelo protagonista de latões).
  • Os bronzes: burocratas.
  • Obsidianos: raça criada especialmente para a guerra, soldados com físico impressionante, porém meros peões.
  • Azuis: responsáveis pela tecnologia, descritos como criados em uma seita que ensina a lógica que torna-os mais computadores que homens.
  • Verdes: médicos.
  • Violetas: artistas e entalhadores (manipuladores genéticos e cirurgiões plásticos), o que também é considerado uma forma de arte.
  • Rosas: humanos treinados e perfeitamente adaptados para a prostituição.
  • Marrons: responsáveis pelos serviços domésticos em geral.

Dentro de cada casta há diversas graduações, e suas próprias tensões sociais.  Você pode ascender dentro de sua própria casta, porém não há mobilidade social fora delas. Essa característica acaba fazendo com que as pessoas estejam mais interessadas em lutar contra seu vizinho do que questionar seus governadores.

Em seu livro de estreia, Pierce Brown, formado em Economia e Ciências Políticas, não poupa esforços pra incluir em sua narrativa reflexões sociais profundas. Sua obra é um tanto descritiva, nos entregando de graça informações que poderiam ser mais bem apresentadas se ele apenas nos mostrasse através do desenvolvimento da trama. Apesar de isso causar incômodo, sua escrita é leve e de fácil absorção. Incomoda o modo como o autor faz uso da narração em primeira pessoa, visto que o narrador é o protagonista, mas conta sua história de forma tão distanciada e com tantas informações sobre o que não está em seu entorno imediato que me questiono: por que não fazer uso da terceira pessoa?

Normalmente não me atenho muito a esses detalhes, mas outro demérito foi a diagramação escolhida para o livro. A fonte pequena e de contornos tênues foi um desafio para meu astigmatismo e várias vezes me fez deixar o livro muito antes do que gostaria.

Mariana Guarilha é devota de George R. R. Martin, assiste a séries e filmes de maneira ininterrupta e vive entre o subconsciente e o real. 

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Pierce Brown