Literatura

Resenha | Lugar Nenhum - Neil Gaiman (2)

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Criado primeiramente como roteiro para um seriado de TV, Lugar Nenhum não agradou ao público e tampouco ao seu próprio autor em razão da baixa qualidade da fotografia, filmagem e outras questões técnicas decorrentes do pouco orçamento direcionado à obra. Isso fez com que Neil Gaiman, ainda em início de carreira, o adaptasse para os quadrinhos e livros, e pudesse contar sua história do modo que havia idealizado.

Somos apresentados a Richard Mayhew, um jovem que se muda para Londres ao receber uma proposta de emprego. Ao ajudar a misteriosa Door, ele vai parar na Londres de Baixo, um lugar fantástico, porém perigoso. A forma como esse universo é detalhado pelo autor faz com que o leitor se deixe ser levado, junto com o protagonista, na viagem pelo submundo desconhecido, reconhecendo as semelhanças e diferenças que partilha com o próprio mundo onde vive e refletindo sobre elas. O uso de diversos pontos turísticos ou históricos de Londres como referência a personagens e lugares do submundo, assim como alguns trocadilhos com certos nomes, é notável, o que torna a leitura mais interessante ao se imaginar se poderiam ser verdade ou uma lenda urbana.

Alguns dos personagens secundários têm sua importância para o andamento da trama e consequentemente são melhor desenvolvidos. Suas nuances, pensamentos e ações, ora condizentes, ora absurdos, aprofundam suas personalidades, citando como exemplo o Marquês de Carabas, astuto, autoconfiante e com uma péssima reputação no submundo, apesar de seu título ilustre; e os assassinos Croup e Vandemar, donos de algumas das passagens mais surreais do livro nas quais conseguem ser cômicos enquanto falam de coisas "banais", como torturas e mortes.

A escrita é simples e dinâmica, as cenas de ação fazem jus ao seu objetivo original, sendo detalhadas e passíveis de serem imaginadas; sua leitura é muito satisfatória e rápida. Chegamos ao seu final não só com vontade de expandir este universo, caminhar mais por ele, como também ficamos convictos de que Neil Gaiman foi certeiro em sua escolha.

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Texto de autoria de Carolina Esperança.

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