Literatura

[Resenha] O Massacre da Serra Elétrica - Stefan Jaworzyn (Coleção Dissecando)

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Depois de estrearem com a novelização do clássico Os Gonnies, a Editora Darkside lançou no mercado a Coleção Dissecando para apresentar bastidores de clássicos filmes de terror. Até o momento, O Massacre da Serra Elétrica e Evil Dead foram publicados tanto no formato tradicional quanto em capa dura, evidenciando uma editora que também faz do seu acabamento um diferencial.

O primeiro título da coleção Dissecando é dedicado a O Massacre da Serra Elétrica, um filme de baixo orçamento que modificou as estruturas das produções cinematográficas. A obra é assinada por Stefan Jaworzyn, editor de fanzines e de festivais de filmes de horror. Porém, é difícil legitimá-lo com um autor no sentido literal da palavra. Ao contrário da biografia da banda Black Sabbath, de Martin Popoff, também publicada pela editora, não há uma condução narrativa que ligue as histórias de cada filme com os depoimentos apresentados. Jaworzyn optou por realizar pequenas introduções em diversos capítulos e colocar em sequência justaposta os depoimentos dos envolvidos.

Este estilo inusual  – que alguns poderiam considerar preguiçoso por parte do autor – faz a leitura ficar, a princípio, truncada até que o leitor se acostume com as diferentes vozes. No começo da edição, uma lista identifica a equipe que prestou depoimentos para cada filme.

Antes do prefácio do livro, a edição brasileira explica que o filme foi traduzido erroneamente para o país, modificando a motosserra do original por uma serra elétrica, aparelho que precisaria de energia elétrica para funcionamento. Por questão de tradição, os editores optaram por utilizar a mesma expressão no decorrer do texto.

O prefácio é assinado por Gunnar Hansen, primeiro ator a vestir a máscara de pele humana e segurar a serra elétrica, sendo, ainda hoje, reconhecido pelos fãs. Em seguida, um breve prelúdio explica o que o diretor Tobe Hopper produziu até a composição de O Massacre da Serra Elétrica.

O ponto alto do livro centra-se nas histórias desta pequena grande produção. Mesmo sem uma linha narrativa, os depoimentos são coesos e postos em uma sequência que dialoga entre si. A história por trás de O Massacre é rica em informações e detalhes. Sua filmagem foi feita de maneira mambembe e a realização em grande parte deve-se aos investidores que, mesmo sem um roteiro nas mãos, viram uma ideia com muito potencial. O resultado conhecido do público é um filme de terror precursor. Além de recursos escassos, abriu espaço para que narrativas do estilo saíssem do nicho do gênero e fossem considerados grandes filmes assustadores. Mais de 50 páginas abordam este fenômeno, que, até a década de 2000, ainda era proibido integralmente em alguns países.

Antes de apresentarem a segunda produção da saga Leatherface, um capítulo se dedica a biografar Toby Hopper e mencionar suas outras produções de sucesso, como Poltergeist – O Fenômeno, Pague Para Entrar, Reze Para Sair e outras obras que, por modificações dos estúdios, tiveram resultado aquém do esperado, caso de Força Sinistra, Invasores de Marte e outras produções recentes.

Em cada parte dedicada a mais uma produção de Leatherface, encontramos um material rico em informações de bastidores, comentários e recepção do filme na época e em críticas contemporâneas.

O livro originalmente termina em 2003, época em que a produção de um remake de O Massacre estava em pré-produção. Para deixar a leitura completa, os tradutores Antônio Timbau e Dalton Caudas produziram os capítulos posteriores sobre a refilmagem, uma prequel lançada em seguida, e a nova versão em terceira dimensão, que é continuação direta do filme original.

Complementando o material, há um capítulo sobre Ed Gein, personagem que inspirou partes dessa obra e de outros clássicos do cinema, como Psicose; uma lista de documentários e outras produções associadas e as fichas de elenco, créditos, bibliografia selecionadas e links consultados.

Se tais informações não fossem tão profundas, produzindo um material histórico, a não-narrativa do livro seria um dos problemas mais gritantes, já que o autor não sentiu a necessidade de enriquecer um material incrível conduzindo-o com propriedade.

Mesmo que as sequências de depoimentos fujam do conceito tradicional de uma biografia, o livro é afiado e obrigatoriamente te incita a revisitar todos os capítulos da saga. Permite acompanhar, com uma visão mais aprofundada, as cenas consideradas difíceis e episódios que causaram vergonha em muitos por sua baixa qualidade técnica ou de roteiro.

O bom conteúdo se destaca ainda mais por uma edição repleta de imagens e com um design e material gráfico excelente produzido pela competente equipe da Retina 78. Fazendo desta obra um produto-fetiche de prateleira admirado também por sua beleza.

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Thiago Augusto Corrêa

Apreciador de cinema, literatura, quadrinhos e música. Formado em Letras, escritor e metido a sabichão.
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