Resenha | The Disaster Artist – Greg Sestero e Tom Bissell

O filme The Room é taxado como um dos piores já feitos.  Por trás desta cômica atrocidade cinematográfica existem histórias de bastidores que valem muito a pena conhecer. Felizmente, tivemos esse privilégio por conta de um dos atores do filme, Greg Sestero, juntamente com Tom Bissell, no livro The Disaster Artist: My Life Inside the Room, the Greatest Bad Movie Ever Made (em tradução livre, O Artista do Desastre: Minha Vida Dentro de The Room, o Melhor Filme Ruim Já Feito).

Greg iniciou sua trajetória no cinema desde o inicio da vida adulta. Nas inúmeras tentativas e erros, conheceu várias pessoas, entre elas um sujeito bem peculiar com sotaque diferente: Tommy Wiseau. Os dois criaram uma boa amizade e, em dado momento, Tommy convida Greg para participar de um filme de sua autoria. O nome do projeto era The Room.

Em uma narrativa bem solta, sem palavreado rebuscado ou tentativas de formalidade, o livro se desenvolve de maneira bem fluida, onde Greg conta vários detalhes sobre a produção do filme e, ainda, de sua amizade com Tommy.

Wiseau realmente é um ser humano fascinante. Algumas coisas ali contadas são difíceis de acreditar, mas fazem muito sentido quando assistimos a The Room. O filme é um reflexo pleno da personalidade e mentalidade de Wiseau, o que é assustador. O livro deixa bem claro que algumas coisas são floreadas para deixar a narrativa mais legal, porém acredito que a maioria do que é contado ali seja real.

Um ponto interessante é a origem desconhecida do diretor, bem como de sua fortuna. Entre os bastidores de The Room e a própria trajetória profissional de Greg Sestero, temos algumas especulações sobre a origem misteriosa de Tommy, sua idade real, dentre outras coisas.

Um exercício interessante é assistir a The Room, ler este livro e depois reassistir ao filme. Com isso, The Room ficará dez vezes mais divertido.

Tommy Wiseau comete diversas atrocidades técnicas na produção do filme. A primeira é ousar atuar, escrever e produzir o filme. Ao invés de alugar, ele comprou duas câmeras, sendo cada uma de filme 35mm e outra HD. Tommy quis gravar com as duas simultaneamente e tornar isso um fato inédito na indústria do cinema. No final das contas, a filmagem em HD sequer foi utilizada.

Não bastasse a falta de talento, Wiseau se mostrava um tremendo ditador durante as filmagens. Fazia todo o elenco estar no set de filmagens o tempo todo, mesmo que não houvesse cena programada envolvendo aqueles atores. São aleatoriedades que apenas a mente estranha do realizador é capaz de produzir. Outro bom exemplo é ter nomeado o próprio Greg Sestero para ser o Line Producer do filme, mesmo que Greg confesse não fazer ideia do que é isso.

O livro é um relato bem descontraído sobre a carreira de Greg, sua amizade com Tommy e as desventuras das filmagens de The Room, embora alguns trechos não sejam tão interessantes assim. Se você curte cinema, vale muito a pena conferir este livro, e claro, assista ao filme antes de ler. Por enquanto, o livro não possui tradução para o português brasileiro, entretanto, se você tem um inglês razoável, vale a pena arriscar. A melhor parte de ler em inglês é a facilidade de imaginar Tommy Wiseau dizendo aquelas palavras. Uma fonte inesgotável de sorrisos.

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