Resenha | Nova Marvel: Ponto de Partida

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Marco M. Lupoi, diretor de publicações da Panini Groups, é o responsável pelo texto introdutório que abre a revista Ponto de Partida, anunciando a nova Marvel no país. Lupoi afirma que este novo universo não é um reboot. Que sagas e as histórias de cada personagem continuam na mesma linha temporal que se iniciou na primeira história do Quarteto Fantástico na década de 60. Informando que a Nova Marvel é um ponto de partida para novos leitores, além de ser uma mudança para atrair os antigos.

Mesmo que fuja da afirmação, a Marvel Now, que no país ganhou o nome de Nova Marvel, é resposta direta ao reboot da DC Comics realizado há dois anos. E impossível de ser negada como uma ação mercadológica que muda algumas estruturas do universo, modifica as equipes criativas e deseja aproximar os mais de 60 anos de histórias em quadrinhos da editora à recente cronologia cinematográfica.

A edição foi a primeira lançada no país como um aperitivo do futuro da nova Marvel, ainda que seja questionável a eficiência desta apresentação para aqueles que não conhecem as personagens da Casa das Idéias. As 50 páginas entrelaçam seis histórias escritas pelas equipes de cada novo título e tem como centro condutor a personagem de Nick Fury e um homem que vem do futuro trazendo a ladainha costumeira de um futuro quase apocalíptico.

Aos leitores que saem dos cinemas à procura das edições, faltará a perspectiva de que este Nick Fury não é o mesmo visto nos cinemas, nem mesmo se aproxima da clássica personagem. Trata-se de um filho bastardo de Fury, surgido nos últimos anos que, após a aposentadoria do pai, assumiu a força tática da S.H.I.E.L.D.. Uma maneira um tanto canhestra de colocar, de certa maneira, o mesmo personagem tanto nos cinemas quanto nos quadrinhos.

Enquanto Fury interroga o homem do futuro, cinco histórias se apresentam: o passado do Senhor das Estrelas / Star-Lord de O Guardiões das Galáxias; a origem de um outro Nova; um jovem Loki à procura de heróis para formar os Jovens Vingadores; o Homem- Formiga, membro da Fundação Futuro, em luto pela morte da filha; e o mutante Forge trazendo Cable de volta.

Pelas personagens envolvidas, é perceptível que o leitor leigo, seja aquele vindo dos cinemas ou o leitor de poucos títulos da casa (particularmente, sou leitor apenas de Homem Aranha, há muito tempo) a sensação de incompletude será evidente. Nenhumas dessas personagens foram sequer inferidas no universo cinematográfico, demonstrando que um leitor novato que gostaria de conhecer a Nova Marvel precisará de maior empenho e um gasto significativo para acompanhar as novas edições, até que ele reconheça as personagens que viu na tela, como Os Vingadores, cuja formação será mesma vista na produção cinematográfica.

A Nova Marvel começa sem entusiasmo, com seis histórias quase protocolares que não dão o impulso adequado a um ponto de partida que deveria arrebatar. Se o futuro leitor pesar os gastos mensais com base nestes inícios, prevejo que alguns deixarão a empreitada da editora de lado. O único destaque das histórias fica por conta da história “É Arte”, escrita Matt Fraction sobre o Homem-Formiga, eficiente ao apresentar a motivação da personagem enlutada com boa dose de drama e força suficiente para procurarmos a próxima edição nas bancas.

Se a intenção do aperitivo era ser uma degustação antes do prato principal, as histórias foram servidas fora do ponto. E, provavelmente, este gibi não fará falta quando as histórias iniciarem de fato, nos próximos meses.

E eis o que vem a seguir, de acordo com os destaques da edição: A busca do Homem-Formiga por vingança; Loki tenta formar uma nova equipe; A nova missão de Nick Fury; A espetacular origem do Nova; a Reconstrução de Cable; A Chocante história do Senhor das Estrelas; Steve Rogers preso em outro mundo; O retorno dos X-Men originais; O novo plano de Bruce Banner; O novíssimo Homem- Aranha; Thor do passado, presente e futuro; O Quarteto-Fantástico desbravando novos mundos.

Nada tão novo assim.