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Resenha | Alena

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O mais legal dos quadrinhos, de uma forma talvez até mais acentuada que o cinema, devido toda a expressividade estática que os quadrinhos gráficos oferecem aos nossos olhos, é como essa mídia consegue acomodar em toda sua linguagem e glória os mais diversos gêneros em suas páginas. Alena está ai para provar isso, sendo nada mais que uma história de terror romântica no melhor estilo de Carrie: A Estranha, do superestimado Stephen King. É a adolescência começando a provar, de forma surreal e sangrenta, os dramas da vida adulta através dos olhos de uma jovem, assombrada e terrivelmente empoderada pelo amor de sua vida.

Alena nunca superou a morte de sua namorada, Josefin. Um amor que nunca se foi, sendo uma sombra presente em todos os momentos mais particulares ou sociais da pobre Alena. Assim, o amor é visto como um fantasma, o brilho que restou de uma estrela já falecida. Uma vez que o amor verdadeiro nunca acaba, Alena é um conto de uma colegial cujo passado semi encarnado a obriga a fazer coisas tenebrosas, em especial, viver no macabro e assassinar todas as pessoas que não a deixam em paz por ela ser tão introvertida, traumatizada, e lésbica – características que, social e infelizmente, pesam nos passos de qualquer um.

É claro que a jovem e tímida Alena é atormentada por suas colegas insuportáveis de escola, que a querem estuprada e humilhada diante de todo mundo – chegando a trancá-la com um garoto para “virar mulher”. Em oito capítulos, a publicação da Avec Editora ilustra com total intensidade o peso do preconceito nas memórias e nas ações de alguém que não é considerado normal, sobrevivendo entre pessoas sempre prontas a infernizar quem não se parece com elas. Kim W. Andersson, autor também da ótima série Love Hurts, de 2009 (ainda não publicada no Brasil), aproveita seu melhor trabalho gráfico para nos chocar em um conto de justiça, e injustiça, banhado no sangue de adolescentes...

... e puro instinto de vingança, toda vez que atestamos o contato sobrenatural de Josefin, com “sua” perturbada Alena. Como um anjo da guarda as avessas em seu comportamento, Josefin influencia sua namorada para cometer as maiores atrocidades contra quem nunca as deixaram ser feliz, fazendo-as pagar entre facas e tesouras, entre lágrimas de saudade e lágrimas de rancor. Andersson é o tipo de autor que não poupa seus personagens, e joga a todos num inferno de ações e danação delicioso de se acompanhar, também devido suas ótimas ilustrações e o dinamismo da narrativa. O amor machuca, com certeza, e em Alena ele cumpre o seu papel das maneiras mais diversas e visualmente chocantes possíveis.

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Douglas Olive

Cinéfilo formado em publicidade e iniciante com "Os Aristogatas", que assistia 5 vezes por dia na infância, e que agora começa a querer fazer seus próprios filmes. Devo estar indo longe demais.
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