Resenha | All You Need Is Kill

All You Need is Kill foi lançado originalmente em 2004 no formato light novel, muito difundido em terras nipônicas. A obra tem como autor Hiroshi Sakurazaka e ilustrações de Yoshitoshi Abe (conhecido por Serial Experiments Lain). Em 2014, a obra ganhou uma adaptação hollywoodiana (No Limite do Amanhã) e um mangá. É sobre este que falaremos agora.

Tudo acontece em um futuro onde alienígenas invadiram a Terra. Batizados de Mimetizadores, eles iniciam a destruição da humanidade sem dó, nem piedade. Para tentar combater os monstros, foram criadas forças especiais onde os soldados utilizam armaduras mecanizadas que, além de protegê-los, garantem força extra para os combates.

Keiji Kiriya se vê preso em um loop temporal onde revive um mesmo período continuamente. O loop começa quando Keiji está deitado na cama, e termina com sua morte em batalha no dia seguinte. Após cada morte, o loop se reinicia e ele vivencia tudo de novo. Porém, com as repetições, ele vai, aos poucos, deixando de ser um soldado inexperiente e ganha muita força e habilidade. E claro, a cada loop, tenta descobrir o motivo pelo qual essa anomalia temporal está acontecendo. Outra personagem de destaque é a americana Rita Vrataski, a combatente mais habilidosa do mundo. Rita foi ao Japão com sua equipe e lá seu caminho irá se cruzar com o de Keiji.

De início, devemos destacar a excelente arte de Takeshi Obata (Death Note, Bakuman), que dispensa elogios. O artista tem um excelente traço e constrói muito bem as cenas. Em alguns poucos momentos de combate, elas ficam um pouco confusas devido ao excesso de traços, mas nada que comprometa a qualidade final da obra. Alguns quadros merecem ser observados por longos instantes.

Se analisarmos a sinopse da história, não vemos nada de inovador. Diversas obras já mostraram invasões alienígenas, loops temporais e soldados com armaduras mecanizadas. Mesmo assim, a junção dos elementos criou algo interessante e bem narrado pelo roteirista Ryosuke Takeuchi. A história se desenvolve muito bem, tem ótimo ritmo e consegue manter a qualidade ao longo dos dois volumes.

A questão principal do mangá é a tentativa de Keiji descobrir o motivo pelo qual os loops acontecem. É bizarro notar que ele se acostuma com a morte após sucumbir dezenas de vezes. Mas isso não será a única coisa que afetará o jovem soldado. Rita fará parte da trama e acaba sendo um pouco mais interessante que Keiji.

Temos aqui um bom produto lançado pela Editora JBC. Não é a obra mais original do mundo, mas é bem feita e funciona muito bem como entretenimento. Ao invés de tentarem maluquices extremamente complexas usando os loops temporais, optaram por fazer algo mais simples, o que é um ponto positivo. O desenvolvimento tem um quê de complexidade, mas a resolução é simples e funcional. Essa é uma boa qualidade da obra: simples, mas não simplista.

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