Resenha | Bad Boy

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Não gosto de admitir isso, mas as vezes me pego comprando HQs e mangás sem nem me dar ao trabalho de ler uma sinopse, confiando apenas no nome do autor ou do ilustrador para garantir a qualidade da obra. Felizmente tenho acertado mais do que errado, e um grande exemplo dessa confiança é a HQ Badboy, do nada famoso Frank Miller, que comprei no meio do ano passado. Pode até parecer um pouco de comportamento fanboy começar a resenha dessa maneira, mas é verdade quando digo que comprar uma obra do Frank Miller é retorno garantido, e vou tentar justificar essa afirmação nas próximas linhas.

Pra começo de conversa, Badboy não é uma HQ muito extensa, sua edição aqui em terras tupiniquins tem apenas 48 páginas contando com alguns esboços de arte no final, o que me assustou um pouco enquanto a folheava, porque até o momento não estava muito motivado adquirir a obra. O engraçado foi perceber que durante a leitura, essa falta existencial de uma presença física mexe com a percepção do leitor, que está imerso num roteiro onde a trama é ponteada por pequenos momentos gritantes nos quais muitas vezes a sensação é de “vai acontecer mais coisa” e no final acaba não acontecendo da maneira esperada.

A história de Badboy é um pouco complicada se analisada em primeiro plano, mas com o passar das páginas se mostra uma ótima releitura do clichê “fugir de uma realidade pouco convincente”. Ela começa nos apresentando Jason, um garoto aparentemente normal, fazendo aquilo que mais gosta: fugir. Talvez a presença de algo parecido com robôs e um jato supersônico denunciem que a história se passa num futuro próximo onde nada é o que parece e nem como parece, tornando complicado entender onde Jason está e qual sua função dentro da “sociedade utópica” conhecida como Sacred Oaks que seus pais pregam com avidez durante algumas viagens forçadas após as fugas. O garoto acaba vivendo num circulo de Déjà Vu em que as mesmas situações se repetem apenas com micro mudanças: percepção de algo errado na realidade, tentativa de fuga e captura eminente seguida por uma amnésia. A quinada acontece justamente quando ele se recusa a viver o período de amnésia e fica acordado, daí para frente as descobertas são grandes e atiçam ainda mais a curiosidade do leitor.

Dentro de algum lado comparativo, podemos dizer que Badboy se parece muito com alguns filmes onde o foco está na situação vivenciada pelo personagem, por mais que o cenário de fundo se mostre mais interessante. Durante a leitura essa é uma característica muito boa, porém se vira contra o autor depois que o leitor descobre que não há mais material para ser lido. Você literalmente fica com vontade de conhecer mais sobre aquele ambiente onde Jason está sendo aprisionado, mas não por uma ligação ao personagem e sim pelo fato de que todo o cenário foi construído encima de uma aparência super secreta. Frank Miller soube dar a Badboy um “gosto de quero mais” e ainda embalou sua genialidade dentro de um pacote com poucas páginas e uma ilustração nos moldes clássicos dos quadrinhos oitentistas em pleno anos 90 (1997 para ser mais exato).

Infelizmente Badboy não é to tipo de história em quadrinhos que qualquer um possa ler, há linguagem inadequada e um pouco de violência, mas nada que vá mudar sua vida como um banho de sangue. Para nós brasileiros acostumados a pagar valores irrisórios por obras que não chegam aos pés de Badboy, a situação só melhora em saber que ela está sendo vendida com preços entre 20 e 30 reais e sua edição nacional foi feita pela já conhecida Devir em 2009, recebendo o melhor tratamento possível: capa plastificada, papel de boa qualidade e uma lombada rígida. Então minha consideração final coloca Badboy com nota 8, numa escala de 0 à 10 e serve de indicação para aqueles que querem se aprofundar mais ainda nas obras do Miller sem precisar passar por dilemas de Custo VS. Benefício na hora da compra.

Compre: Bad Boy.

Texto de autoria de Breno C. Souza.