Resenha | Batman & The Spirit

Batman - Spirit

Criado pelo revolucionário Will Eisner, o herói The Spirit surgiu na década de 40 em um supletivo dominical dedicado aos quadrinhos. Desde então, tornou-se uma das criações icônicas do mestre e ainda lembrada pelo público contemporâneo, que, mesmo sem ser uma testemunha ocular do sucesso da personagem, reconhece a criação mascarada que traja sobretudo e uma gravata, uma referência noir e adulta, inédita para a época.

Em 2007, a DC Comics adquiriu os direitos da personagem e coube ao roteirista Jeph Loeb apresentá-la a um novo público leitor. Desenhado por Darwyn Cooke, responsável integralmente por doze edições seguintes do herói, este crossover utiliza um dos medalhões do estúdio como destaque para apresentar um novo antigo personagem que possui semelhanças com o Homem-Morcego. Ambos são detetives que utilizam o mistério e a teatralidade como estilo para esconder a origem e o alterego, atuam em uma cidade específica e têm como amigo um comissário da polícia.

A trama de Convenção do Crime apresenta a amizade entre Gordon e Dolan, relembrando a primeira vez em que Spirit e Batman se encontraram para evitar um ataque de um grande grupo de vilões. O argumento narrativo é básico e cria paralelos entre as personagens de cada universo como modo de interação. Dessa maneira, Gordon e Dolan são convidados para uma convenção policial em comum e, ao mesmo tempo, seduzidos por mulheres fatais, P’Gell, no caso de Gordon, e Pamela Islay formando um par com Dolan. Os heróis são atraídos pelo grupo vilanesco ao mesmo local para serem exterminados. Após um desconforto inicial, e a descrença por parte de Spirit da real existência do Homem-Morcego, a dupla forma uma equipe.

A história não se desenvolve além de uma aventura de apresentação. O roteiro de Loeb não se situa nem em sua fase elogiada, nem em sua derrocada posterior. Permanece equilibrada e agrada ao demonstrar as diferenças operacionais entre as personagens. Por outro lado, o traço de Cooke, voltado a um estilo mais cartunesco e, assim, fora dos padrões mais realistas de muitos desenhistas atuais, é um primoroso acerto. Completa com estilo a personagem de Spirit e, longe do realismo do Morcego, demonstra-se funcional pela aventura e as doses de humor que ainda evidenciam traços de um estilo noir.

Torna-se visível que utilizar Batman como uma figura de destaque – a trama tem também uma aparição-relâmpago  de Superman – funciona para situar o herói de Eisner e mostrar ao público que  as personagens habitam um mesmo universo. Como ponto de partida e uma carta de apresentação, a história é funcional. Porém, a fase seguinte apresentada por Cooke é composta com um apuro tão preciso que transforma este crossover entre grandes personagens em uma sombra quase insignificante.