Resenha | Bidu – Caminhos

Desenhada e escrita por Eduardo Damasceno e Luis Felipe Garrocho (Achados e Perdidos, Quiral), Bidu – Caminhos foi o ponto inaugural da fase dois das Graphic MSP, e continuou no rastro deixado pelos irmãos Caffagi, em Turma da Mônica – Laços, no sentido de remeter a nostalgia e pureza das crianças. Os mineiros apresentam uma história que demonstra o primeiro encontro entre Bidu e Franjinha, que faz um apelo à sua mãe para que finalmente tenha um animal de estimação.

As cores da revista são lindíssimas e vigorosas, fazendo lembrar o trabalho de Cris Peter em Astronauta – Magnetar. A historia é contada sob o ponto de vista do animal, que possui uma linguagem própria entre ele e outros cães, diferenciando assim dos personagens humanos. Com poucas palavras, a história estabelecida levanta temas como cadeia de hierarquia, tanto alimentar quanto de poder, além de mostrar as agruras pelos quais passam a população canina nas ruas das cidades brasileiras. Para o leitor que gosta de animais domésticos a empatia é praticamente automática, em especial graças ao singelo traço empregado na revista e no conteúdo sentimental imposto na história.

A trama ainda evoca uma inevitabilidade na vida de Franjinha e seu mascote, como se fosse destino de ambos se encontrarem, dependendo então a felicidade de um com o outro a partir daí. Mesmo os desencontros entre eles só ajudam a demonstrar o quanto um está fadado a ser feliz com o outro.

De certa forma, o processo criativo de Damasceno e Garrocho serve de comentário linguístico a relação de Franjinha e Bidu,  já que os artistas preparam textos, cores e desenhos juntos, processo que tem algumas semelhanças com o visto nos irmãos Fábio Bá e Gabriel Moon em Daytripper e outros produtos. A ternura com que Caminhos é apresentada começa com essa simbiose presente no trabalho de seus autores, que conseguem dar uma boa versão para o personagem pioneiro da carreira de Mauricio.

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