Resenha | Carnaval Glare: O Caçador de Bruxas

Histórias contadas em volume único precisam de certo cuidado. Por terem uma quantidade de páginas mais limitada, é necessário foco na proposta. A impressão é que Carnaval Glare, publicado pela Nova Sampa, não soube muito bem qual sua verdadeira proposta.

Não temos uma premissa super original: criaturas denominadas “bruxas” atacam os humanos para matá-los ou transformá-los nesses seres repugnantes. O governo criou uma organização militar para combater estas ameaças, uma espécie de tropa especial. Seu líder é Hansel Takamine, que teve sua irmã Gretel assassinada por uma bruxa. Esta é a grande motivação para que Hansel entre nesta perigosa luta. E aqui vem o problema.

Em momento nenhum o protagonista inspira empatia ou carisma. As motivações são rasas e mau exploradas, às vezes confusas e duvidosas. Não há qualquer problema na premissa simples, até porque a questão das bruxas poderia gerar uma história interessante. Inclusive as bruxas são interessantes, classificadas como “desastres”, e trazem um ar bizarro à trama. A primeira metade do volume desenrola até bem, tendo mais foco na ação. Depois a narrativa se torna cada vez mais confusa, estranha e mau executada. Há uma tentativa de aprofundar os personagens, as motivações, dar explicações sobre as bruxas e até sobre as armas usadas para matá-las. Tentativas que não logram êxito e tornam a obra extremamente enfadonha, inconstante, sem ritmo e desinteressante.

Nem mesmo as referências mais diretas, como o nome do protagonista e de sua irmã, ajudam muito (Hansel e Gretel é o nome original da famosa história João e Maria) O que sobra é um punhado de elementos que não despertam interesse algum. Triste pensar que existem elementos interessantes que poderiam gerar uma trama minimamente interessante, mas a falta de habilidade narrativa torna a leitura um calvário.

No final das contas, é difícil afirmar se a trama enfadonha é culpa das poucas páginas de desenvolvimento ou simplesmente incompetência do autor Kazuomi Minatogawa. Pelo menos a arte é bonita, embora confusa em alguns momentos e  com ausência de cenário que atrapalha bastante o entendimento. Havia bom potencial para criar uma história minimamente interessante, mas infelizmente o resultado ficou aquém das expectativas. Não era pra menos, afinal, se nem o protagonista consegue ser carismático, como o leitor se importará com o resto da história? A sensação é que a leitura demorou dias para ser finalizada, e ao término deste esforço hercúleo, provavelmente poucas lembranças restarão. Fica difícil recomendar este mangá.

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