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Resenha | Cavaleiro da Lua nº 2

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Cavaleiro da Lua - 2 - capaO segundo volume encadernado lançado pela Panini Comics, da fase Totalmente Nova Marvel de Cavaleiro da Lua, confirma a especulação proposta na análise de Cavaleiro da Lua nº1 ao afirmar que o início de Warren Ellis foi um primeiro movimento para fundamentar a personagem através da ação e conquistar os leitores.

A partir dessa edição que compila os números 7 a 12, os roteiros são assinados por Brian Wood (Vikings) e a arte alternada entre Giuseppe Camuncoli e Greg Smallwood. Graficamente, a concepção permanece a mesma, com Marc Spector e seus diversos alter egos em figurinos brancos, sem nenhuma coloração. O padrão de cada página também se mantém com uma quantidade maior de quadros, priorizando a ação visual.

As primeiras duas histórias do encadernado aparentam um desfecho evidente mas simbolizam um movimento novo para para a personagem. Devido a uma incursão de resgate realizada pelo herói, Marc Spector se torna procurado da Justiça e, por isso, perde o totem de seus poderes. Esta citada história, Retalhador, merece destaque pela narrativa, desenvolvida somente com registros de aparelhos eletrônicos, câmeras de vigilância e celulares, em um estilo found footage, recuperando a ação dos acontecimentos a partir destas gravações. Considerando que Ellis foi o primeiro roteirista dessa fase e também fez movimento parecido na década de noventa em Stormwatch, é possível que Wood tenha se inspirado nesta história para produzir este estilo ousado e capaz de manter um bom apelo gráfico.

Se inicialmente o Cavaleiro tinha um status quo heroico, neste volume ocorre sua desconstrução. Seus poderes são negados pelo deus da lua Konshu. Acusado do ataque terrorista que tentou impedir, Spectre é preso e se vê obrigado a se salvar sem a força da entidade. O drama ajuda a desenvolver a personalidade da personagem, aspecto que, normalmente, se desenvolve somente em seus casos esquizoides. Ainda que seja um argumento característico dos quadrinhos, o herói obrigado a viver sem seus poderes, a trama se sustenta pelo carisma bem desenvolvido nesta fase, demonstrando como foi certeiro o planejamento de atrair o público pela ação e, em seguida, desenvolver uma trama maior sobre poder e queda.

Esta fase se conclui no próximo encadernado, porém é notável o quanto os dois roteiristas até aqui conseguiram reafirmar a personagem dentro da Marvel em uma abordagem que fugiu de um grande evento espetacular. Focando em uma ação precisa e sendo pontual em abordar o drama para destacar o personagem.

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O Cavaleiro da Lua 2 - 01

Thiago Augusto Corrêa

Apreciador de cinema, literatura, quadrinhos e música. Formado em Letras, escritor e metido a sabichão.
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