Resenha | Deadpool – A Guerra de Wade Wilson

Deadpool - A Guerra de Wade Wilson

Desenvolvido como uma paródia do perfil tradicional de um herói, a carreira de Deadpool como personagem se iniciou em minisséries especiais até conquistar uma edição mensal. Desde sua primeira aparição, o Mercenário Tagarela teve três revistas com seu nome, além de uma ao lado de outro personagem de Rob Liefield, Cable. Em simultâneo a estas edições, estrelou diversas aventuras fechadas, normalmente com histórias que ganhavam mais liberdade ao fugirem de qualquer cronologia.

O sucesso da produção cinematográfica consequentemente alinhou relançamentos em sintonia com a recepção do público. Além do primeiro encadernado da Nova Marvel, Meus Queridos Presidentes, a Panini Comics lançou Deadpool Clássico – Volume 1 com o início de suas aventuras, e a Coleção Graphic Novels Marvel, distribuída pela Salvat, republicou A Guerra de Wade Wilson, na expansão da coleção.

Composta por quatro edições, a história já havia sido publicada em Deadpool 5 lançada pela Panini em maio de 2014, uma revista bimestral que inicialmente compilou a fase de Daniel Way e, em seguida, lançou material anterior a esta fase mas ainda inédito no país. Apesar da brevidade da trama, o roteiro de Duane Swierczynski e arte de Jason Pearson são um eficiente representativo da personagem e de seu conceito básico.

A trama tem início com uma investigação do governo à procura de responsáveis por um sangrento massacre no México com um único sobrevivente: Deadpool. Depondo em uma corte sobre os acontecimentos, apresentando sua visão dos fatos sobre a missão, a narrativa retoma a origem do herói criado a partir de experiências da Arma X ao mesmo tempo que desenvolve uma história paralela sobre a ilegalidade do grupo.

Como o próprio Wade Wilson desenvolve os acontecimentos, a realidade possível é permeada por suas manias: o excesso de ironia, a visão egocêntrica de si mesmo e o exagero característico ao narrar seus feitos. Como único personagem histriônico da história, os demais personagens geram um equilíbrio incrédulo, reconhecendo que os acontecimentos foram provavelmente distorcidos por sua mente e produzindo comicidade pelo espanto. Como sua insanidade confunde realidade com imaginação, a dúvida no leitor permanece sobre o que, de fato, ocorreu.

Membro integrante do projeto Arma X, Wade e sua equipe integrada por Silver Sable, Dominó e Mercenário seriam um tipo de grupo de elite trabalhando às escondidas nas piores missões possíveis. Um grupo de mercenários que aceita qualquer missão, desde que seja bem paga. A brevidade da história em quatro partes traz uma trama enxuta em que não há espaço para ganchos desnecessários, representando com qualidade a personagem e fazendo um resumo breve sobre sua origem, bem como demonstrando como o conceito metalinguístico pode ser bem utilizado e equilibrado dentro da história. A trama se encerra com uma provocação sobre a própria lucidez da personagem e se mantém com qualidade, ainda mais se comparado a outro recente relançamento do Tagarela, o equivocado primeiro arco da Nova Marvel.

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