Resenha | Far South

Far South é uma espécie de “faroeste moderno”, com ambientação suja numa história violenta. A obra é dividida em capítulos curtos, todos se passando na mesma cidade e com personagens em comum. Cada segmento narrativo tem seu início, meio e fim, porém as consequências se refletem nos capítulos seguintes, um bom trabalho do roteirista uruguaio Rodolfo Santullo. A arte ficou a cargo do argentino Leandro Fernandez, apostando em um traço simples e sujo. Apesar de seguir um padrão em preto e branco, cada capítulo possui uma cor adicional, bem desbotada, criando uma aparência de antigo, remetendo até mesmo a um noir (especialmente pela existência de uma femme fatale e dos personagens dúbios e amorais). As sombras estão bem destacadas em preto sólido ao invés de hachuras, deixando a arte mais carregada. O artista tem grande habilidade em retratar a violência, até porque trabalhou em obras nessa vertente, como Justiceiro MAX, Wolverine e títulos do selo Vertigo.

Apesar da arte mais simples nas histórias, os capítulos são abertos com uma ilustração mais realista e colorida, muito boas por sinal. Estas ilustrações destacam algum personagem ou situação que será o foco do capítulo. Personagens estes com motivações ambíguas, o que contribui para as reviravoltas da trama. Mesmo aqueles envolvidos em causas sociais acabam se vendendo, tudo pelo instinto de sobrevivência. Qualquer centavo é bem-vindo.

Toda a narrativa envolve dinheiro, tramoias, um sindicato, sexo e mortes. Os elementos western estão ali, seja no bar estilo saloon, sejam nos tiroteios onde prevalece o mais forte (ou o mais esperto). Podemos enquadrar os acontecimentos em diversos locais do mundo, mas pelo título da obra, vamos acabar associando a algum país da América do Sul, especialmente pelo contexto social do sindicato e greve. Nada mais justo, tendo em vista a origem latino-americana dos autores.

A leitura flui bem, tudo é bem contado, aos poucos temos revelações interessantes e os pontos vão se encaixando a cada capítulo. É melhor omitir os detalhes da história para não estragar as surpresas, que não são extraordinárias, mas funcionam. Os personagens são bem humanos, nenhum é flor que se cheire, e isso dá qualidade à obra.

A edição publicada pela Stout Club tem 72 páginas e formato brochura, com papel de qualidade e boa impressão. Uma obra com ar de independente e merece a leitura, especialmente quem é fã da temática faroeste.

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