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Resenha | Frequência Global - Volume 1

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Frequência Global é uma graphic novel de sci-fi escrita por Warren Ellis, misturando o conceito de flash mobs - ou, melhor, ampliando o conceito para smart mobs - com super-heróis sem máscaras, capas esvoaçantes ou roupas colantes. Cada volume é composto por seis estórias, cada uma delas desenhada por um ilustrador diferente. As estórias são fechadas e independentes entre si, podendo ser lidas aleatoriamente.

O roteiro traz um grupo de pessoas - 1001, a partir da primeira estória - espalhadas ao redor do mundo. Quando as soluções formais não funcionam, alguns deles são acionados para “salvar o dia”, de acordo com sua proximidade com a fonte do problema. Miranda Zero, líder do grupo, é a mulher responsável pelo recrutamento, escolhendo as pessoas de acordo com suas habilidades - soldados, engenheiros, mágicos, psicólogos, atletas, entre outros. Todos têm um celular especial, através do qual são contactados por Aleph, uma cyberpunk responsável por toda a comunicação do grupo. Tem um quê de Missão Impossível, aliás, tem o formato ideal para se tornar uma série de tv.

1 - Bombista, ilustrada por Garry Leach

Nesta estória, Miranda Zero recruta o milésimo primeiro membro do grupo, Ivan Alibekov, um físico soviético que irá ajudar os agentes no local - John Stark, ex-soldado, e Alison Fitzgerald, piloto de helicóptero - a neutralizar Janos Voydan - um paranormal com poderes telecinéticos, com um implante no crânio prestes a explodir.

2 - Roda Gigante, ilustrada por Glenn Fabry

Miranda Zero comanda um time formado por uma soldado, uma ex-agente com um braço robótico, um cientista e um atirador de elite a fim de resgatar pessoas de um complexo militar em que um homem biônico está descontrolado.

3 - Invasão Ideal, ilustrada por Steve Dillon

Dentre todas as estórias deste volume, esta é sem dúvida a mais interessante conceitualmente e a melhor explorada. As demais não são ruins mas apesar da maneira incomum como os problemas são solucionados, são ideias que estamos mais acostumados, que comumente vemos em filmes de espionagem e/ou de super heróis.
Miranda Zero reúne uma especialista em neurolinguística, dois soldados e mais uma equipe de segurança a fim de conter uma infecção causada por um meme disseminado por uma transmissão de rádio.

frequencia global #1

4 - Cem Celestiais, ilustrada por Roy Martinez

Aleph contata dois fora-da-lei, Danny Gulpilil e Jill Cabot, para evitar uma típica ameaça terrorista. Um grupo de fanáticos toma veneno com o intuito de atingir o “próximo mundo”, sequestram 30 pessoas e ameaçam detonar a bomba ligada a elas caso suas exigências não sejam atendidas. A propósito, a cena de invasão do prédio é muito Neo e Trinity resgatando Morpheus.

5 - Céu Grande, ilustrada por David Lloyd

A explicação científica de fenômenos ditos “sobrenaturais” é sempre muito interessante. Nesta estória, Miranda reúne um time bastante incomum - uma parapsicóloga e um mágico - para encontrar a causa e, consequentemente, o tratamento para a catatonia que acometeu os moradores de uma pequena cidade isolada, após o incêndio da igreja.

6 - Na Corrida, ilustrada por David Baron

Nesta, Aleph contata uma praticante de parkour para atravessar a cidade e chegar ao local em que um terrorista ameaça detonar, no centro de Londres, um dispositivo que contaminaria a cidade com o vírus Ebola. A estória é bem simples, mas as ilustrações sustentam bem a estória que praticamente acompanha apenas uma personagem.

A edição da Panini é bastante caprichada, com capa dura e papel especial. Contém uma introdução escrita pelo jornalista Fábio Fernandes, contextualizando a obra de Ellis. A tradução poderia ter sido um pouco mais cuidadosa. Por vezes, a utilização de termos menos coloquiais acabam tirando o leitor do clima da estória. Enfim, uma leitura instigante e, ao mesmo tempo, divertida, que deixa aquele gostinho de “quero ler as outras estórias”.

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Texto de autoria de Cristine Tellier.

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