Resenha | Hell NO! – Meu Pai é o Diabo | Os Diabos Tão Soltos

Sua família, seu colégio, sua vida, tudo é um inferno quando seu pai é o Diabo. Esta é a breve (e certeira) sinopse de Hell NO!, do autor brasileiro Leo Finocchi. Daqui já sabemos o que esperar: humor e zoeira.

Finocchi está produzindo a HQ desde 2017, lançando página por página no site oficial e publicando as edições físicas pela Balão Editorial. O artista pôde realizar este trabalho por meio de financiamento coletivo que obteve uma boa aderência dos fãs. Até o momento, o terceiro volume está sendo produzido, e a história será finalizada com mais uma edição.

O traço é bastante cartunesco e colorido, remetendo inclusive algumas animações recentes. Neste ponto, Finocchi merece muitos elogios. A habilidade narrativa e de construir as cenas também é digna de nota, ainda que a história e os diálogos sejam bastante simples. O autor é muito preciso ao montar as cenas, construindo bem os cenários para localizar os seus leitores dentro da trama. Além disso, os personagens são carismáticos e o humor ocorre na medida certa.

A trama gira em torno de três filhos do Diabo e de suas desventuras quando o demônio braço direito de seu pai resolve tomar o poder no inferno. Os personagens são alusões a demônios conhecidos e a todo tipo de referência satânica, que apesar do humor negro ainda soa divertido e, na medida do possível, leve. Os capetas em forma de guri tramitarão entre o inferno e a Terra tentando encontrar soluções para o Golpe de Estado… ou de Inferno, que seja. Aulas de possessão, situações esdrúxulas e diálogos rápidos dão um bom ritmo ao quadrinho.

Importante dizer que cada um dos três irmãos possuem personalidades bem distintas. O protagonista Lúcio se aproxima mais de um humano, até porque sua mãe é humana. Ele é o mais certinho dos três. Satã (Satanás) é um brutamonte desbocado e imbecil, e por isso  Lucio o odeia. Bel (Belzebu) é a irmã mais equilibrada que transita entre a seriedade e a zoeira, dando um bom equilíbrio entre Lucio e Satã. Vale destacar um amigo da trupe, Bafomé Junior, chamado carinhosamente de Bafinho. Ele é um demônio que gosta da palavra de Deus, e é claramente uma sátira  àqueles religiosos chatos, mas ao mesmo tempo tem grande conhecimento e ajudará os irmãos em sua jornada.

No primeiro volume (Meu Pai é o Diabo) teremos basicamente a apresentação dos personagens, do mundo e o início do problema com o braço direito do Diabo. Finocchi faz um bom trabalho e dá o tom bem humorado da obra. Já no segundo volume (Os Diabos Tão Soltos), os irmãos são transportados para a Terra graças ao poderoso Tridente do Diabo, usado pelo golpista infernal. Os irmãos, com a ajuda de Bafinho, descobrem a existência de uma relíquia sagrada capaz de resolver o caso, e a partir daí a real jornada se inicia.

Aparentemente, não é uma história que terá desdobramentos e reviravoltas homéricas, mas a leitura cumpre bem ao seu papel: divertir. Vencedora de prêmios HQ Mix, Hell NO! cumpre bem a sua proposta e vale a pena uma conferida. Que venham os próximos capítulos!

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