Resenha | Hellboy Edição Histórica: Vol. 10 – O Vigarista e Outras Histórias

Mike Mignola é um dos maiores autores de quadrinhos que o mercado norte-americano já gerou. Conhecido inicialmente por desenhar pontualmente para as majors Marvel e DC, o autor se viu lançado ao estrelato em 1994, ao lançar pela Dark Horse seu primeiro título autoral: Hellboy.

De lá para cá muita água passou por debaixo da ponte, e o chamado mignolaverso em muito se expandiu, tornando-se hoje um dos universos ficcionais mais coesos dentro da ficção contemporânea. O que se manteve, felizmente, é o altíssimo padrão das histórias da Magnum Opus de Mignola.

Hellboy mantém um nível de qualidade narrativa que impressiona e revigora o ânimo de seus ávidos leitores, a cada nova história lançada do personagem. Tal tradição se mantém no novo volume da coleção Hellboy Edição Histórica, publicada neste início de 2019, ano em que o personagem completa vinte e cinco anos de criação.

“O vigarista e outras histórias” reúne arcos curtos do detetive sobrenatural, ilustrados tanto por Mignola quanto por artistas do quilate de Duncan Fegredo, Richard Corben e Jason Shawn Alexander. Tudo uniformemente colorido pelo magistral Dave Stewart.

Em “O circo da meia-noite”, Mignola e Fegredo narram uma história da infância de Hellboy, na qual o garoto ainda não se vê de fato como a família do professor Travis Bruttenholm, se sentindo um estranho no ninho, sem lugar e sem destino, vendo-se na obrigação de fugir das instalações do B.P.D.P., para então se deparar com um sinistro e misterioso circo noturno. É brilhante a analogia que Mignola traça entre HB e o professor com Pinóquio e Geppetto, emulando a mesma dinâmica de estranhamento e pertencimento de duas crianças que queriam se tornar “meninos de verdade”. Dentro da linha temporal de Hellboy, essa história se mostra muito importante, uma vez que o garoto ali se depara, sem saber, com dois seres “desconhecidamente familiares”, ao mesmo tempo em que solidifica a relação paternal que possui com Bruttenholm.

Em “O vigarista”, Mignola e Corben se aventuram pelo interior dos EUA no final dos anos 50, em uma trama típica de terror, envolvendo vilarejos macabros, pactos demoníacos, bruxas maquiavélicas, igrejas sinistras e muito do tom sobrenatural característico das aventuras do personagem. É interessante a representação de Hellboy nessa trama como coadjuvante, observando mais do que agindo, enquanto recebe algumas pistas da sina apocalíptica que futuramente tanto o perseguiria. A arte de Corben é responsável por muito do aspecto perturbador e sombrio que a trama possui.

Na história curta “Aqueles que desbravam o oceano”, Mignola se associa a Joshua Dysart no roteiro, dando espaço para Alexander ilustrar uma trama deliciosa sobre ganância e loucura, envolvendo o famigerado pirata Barba Negra. Situada na metade dos anos 80, a história já apresenta Hellboy como um agente experiente do B.P.D.P., atuando junto com Abe Sapien em uma missão um tanto quanto intrincada, em busca da lendária cabeça do pirata e sua malfadada fortuna. A bizarrice inerente às histórias do HB se faz presente, ainda que o estilo da escrita difira um pouco do padrão dinâmico estabelecido por Mignola para o personagem.

O encadernado se encerra com a história “A capela de Moloch”, escrita e desenhada pelo próprio Mignola, e apresenta Hellboy às voltas com uma sinistra ameaça demoníaca chamada Moloch, que se encontra instalada em uma antiga igrejinha. Em um ritmo frenético de ação e de condução narrativa, o criador do HB mostra nessa história seu absurdo talento para contar histórias bizarras, simples e paradoxalmente densas.

O décimo volume, que contém 212 páginas e acabamento de luxo em capa dura, é o penúltimo dentro do planejamento atual do formato “edição histórica” da Mythos para o personagem, restando apenas o volume 11, “A noiva do demônio”, para encerrar essa etapa do Mignolaverso. Vale destacar o brilhante trabalho editorial feito por Fernando Bertacchini, que busca inserir sempre materiais pertinentes para a plena leitura e entendimento do universo ficcional no qual Hellboy se encontra.

Compre: Hellboy Edição Histórica: Vol. 10.

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