Resenha | Hideout

Lançado em outubro de 2014 pela Panini Comics (Planet Mangá), Hideout foi a primeira obra de Masasumi Kakizaki lançada no país. Composta por um único volume, fato que facilita a leitura sem nenhum prolongamento ou sequência futura, a obra explora a vertente do terror equilibrando homenagens a clássicos autores do gênero, como Stephen King, e mantendo uma boa atmosfera.

A trama é narrado pelo personagem Siichi Kirishima, um mangaká que, após problemas no casamento, viaja com a esposa para uma ilha paradisíaca a procura de reconciliação. Traumatizado com o passado, o homem decide matar a esposa para recomeçar de novo. Em fuga, a mulher encontra uma caverna habitada por alguém ainda mais monstruoso que o marido.

Ainda que a transcrição do enredo soe pálida diante da obra, a trama não estabelece nenhum conceito sobrenatural como argumento. Parte da loucura de um homem comum para marcar sua ruptura com a realidade. Alternando momentos do presente – pautado pelo terror – e do passado do casal – destacado com felicidade – o leitor acompanha os fatos que antecederam a trágicos momentos que destruíam a sanidade da família.

A loucura é bem desenvolvida mesmo que de maneira simples. O autor traz em cena algumas situações clássicas do terror, como contrapor um homem brutal ao espaço paradisíaco, uma violência que gera horror pela grotesca natureza humana. Mesmo que não exista nenhuma novidade na trama, a tensão e o medo crescem a cada página pela boa composição da narrativa.

Os desenhos de Kakizaki impressionam pelos detalhes, bem como pelo uso apurado das tonalidades de cinza em cada quadro. Como parte da ação se passa no interior de uma caverna, o cinza e a cor branca se destacam para fundamentar detalhes, revelando o local bem como marcando com maior qualidade cenas grotescas sem que com isso se perca o dinamismo da trama.

Como a história é composta em apenas um único volume, cada capítulo é bem dosado e equilibrado, resultando em uma narrativa ágil como uma bom filme de terror, e breve o suficiente para causar medo.

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