Resenha | Homem-Aranha Superior: Nação Duende

Após seis encadernados, lançados pacientemente pela Panini Comics entre fevereiro de 2016 a novembro de 2018, a fase Homem-Aranha Superior chega ao fim. Nação Duende fecha com excelência uma série diferente para o herói mantida com cuidado por Dan Slott.

Mesmo que, a princípio, a trama da fase soasse inverossímil, as modificações que colocaram o vilão Otto Octavius no corpo de Peter Parker trouxe benefícios ao personagem. Não só envolvendo-o em novas dinâmicas como, naturalmente, marcando a expectativa para o retorno do Aranha original. Tais observações são evidenciadas nesse último arco que compila as sete últimas edições de Superior Spider-Man, lançadas originalmente no pais no mensal do personagem.

Ao leitor que acompanhou as leituras até esse final, sabe que a trama envolvendo o Duende Verde foi composta desde o início da fase, desenvolvida em segundo plano durante outras aventuras. É perceptível que o vilão foi escolhido como desfecho desse final, marcando a volta de Peter Parker alinhada com mais um plano do arqui-inimigo. A narrativa se inicia com um avanço temporal de 1 mês, quando a cidade está dominada pela gangue do duende. Mesmo se gabando de seus avanços como Aranha, Oquinho se sente frustrado por não saber o motivo da invasão duende. Afinal, seus aranha-robôs, reprogramados pelo Duente, não registraram nenhuma ação a respeito.

Ao contrários dos arcos anteriores, sempre pautados na ação, o último ato evita uma grande batalha, mas apresente um jogo de gato e rato entre Aranha e Duende com os sucessos do herói sendo destruídos aos poucos. Como os leitores sabem que muitas destas ações aconteceram em tramas passadas com amigos e familiares de Peter Parker sendo reféns de vilões, o próprio roteirista se adianta e coloca Mary Jane em cena para deslocar os conhecidos do personagem antes de qualquer sequestro vilanesco.

Em uma análise de uma trama anterior dessa fase, mencionei que o leitores sabem que Peter Parker retornará em algum momento, talvez um dos motivos para que as histórias sejam diferentes e também diferentes. O final desconstrói aos poucos tudo o que foi estabelecido nas últimas tramas. Slott, porém, é um bom roteirista que, mesmo na desconstrução do Homem-Aranha Superior, conduz com respeito e bons argumentos cada modificação como, por exemplo, a queda e J. J. Jameson da prefeitura da cidade devido a um ataque exagerado de seus robôs anti-teioso.

Durante os acontecimentos da trama, Peter Parker vem ressurgindo aos poucos na consciência de Otto-Aranha, tentando separar aquilo que é sua memória e, portanto, sua trajetória, da memória do vilão. Diante dos acontecimentos que colocam em choque a superioridade do novo Aranha, Peter não encontra outra alternativa a não ser se manifestar ativamente na consciência compartilhada para guiar a situação e salvar a cidade. Ao contrário da reação em Mente Conturbada, Otto assume suas falhas como herói, assumindo que seu novo papel foi apenas uma sobrevida e, finalmente, traz a consciência de Peter Parker para o controle.

Como é natural em narrativas de quadrinhos, o vilão foge antes de um derradeiro fim, novamente submergindo para futuros planos de destruição. O que importa nesse desfecho é o retorno do herói, sua percepção de que, mesmo com o azar da família Parker e toda a estrutura de “herói comum” que cativa os leitores de Homem-Aranha, os sacrifícios fazem parte da jornada.

Homem-Aranha Superior se transformou em uma interessante narrativa no universo Aranha, sem medo de correr riscos, abordando temas possíveis dentro do habitual universo Marvel. Desde que assumiu o título do teioso em 2008, Slott tem feito um trabalho admirável, apresentando sempre uma boa vitalidade no herói e dosando antigos e novos personagens, traz uma nova atmosfera para a história com um bom saldo positivo, ainda que inusitado.

Além do arco final da fase Octavius, o compilado ainda apresenta o início da saga Aranhaverso, o épico evento que reuniu diversos Aranhas do multiverso.

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