Resenha | Homem-Aranha Superior: Sem Saída

Homem Aranha Superior - Sem Saída

Lançado pela Panini Comics em julho, Homem-Aranha Superior: Sem Saída é o quarto volume em capa dura relançando esta nova fase do aracnídeo com Otto Octavius como o famoso herói. Compilando as edições #11 a #16 da revista original (publicada inicialmente no Brasil em edições mensais), o encadernado apresenta três histórias, mantendo o estilo das narrativas mais enxutas, sem se estender além do necessário.

A primeira história que também nomeia a edição, Sem Saída, é um desdobramento de um arco anterior, a saga Ilha das Aranhas. A trama apresenta a execução do vilão Esmaga-Aranha, responsável por assassinar a esposa do prefeito J. J. Jameson na ocasião. Para garantir que nada fuja do esperado, Jameson convida o novo Homem-Aranha para acompanhar a execução que será realizada na Balsa, local prestes a ser desativado.

A trama trabalha a tentativa de fuga do vilão e as diversas armadilhas feita pelo teioso para detê-lo. Trata-se de uma história simples, focada em um ambiente fechado, desenvolvendo uma tensão pontual sobre a ação. Porém, ainda assim, sem muito impacto ou destaque evidente. Um enredo que funciona, apenas, para mostrar como o Homem-Aranha Superior é diferente do tradicional (um fato percebido pelos leitores em histórias anteriores), trabalhando em alinhamento com a tecnologia para facilitar seu trabalho como herói, além de manter um traço vilanesco ao chantagear Jameson para lhe ceder o local onde havia a super prisão como sede de trabalho, a qual nomeia como Ilha das Aranhas 2 (em boa cena humorada).

A história seguinte retorna ao ambiente natural das personagens, apresentando pistas sobre uma futura aventura envolvendo o Duende Macabro e o Duente Verde. Dan Slott tem boa estratégia em pontuar o universo do Aranha com novos e velhos vilões. O Duende Macabro em questão é um novo vilão (a primeira aparição foi em Janeiro de 2011) que comprou a armadura e os direitos de usá-la direto de Roderick Kingsley, o Macabro original. Ainda que a personagem seja, neste encadernado, inicialmente apenas coadjuvante em Fazendo vista grossa, uma história focada na destruição da Terra das Sombras dominada pelo Rei do Crime, o vilão ganha destaque na história seguinte, Bola da vez: Duende Macabro – Aprendiz de consertador, ao ter sua identidade revelada publicamente pelo Aranha e sendo salvo pelo Duende Verde que vem reunindo um exército nos esgotos da cidade.

Como em outros arcos anteriores, é perceptível a estratégia narrativa focada em ações curtas mas pontuais que desenvolvem, simultaneamente, a ação da história em si como apresenta ao leitor futuros ganchos e conflitos. Ainda que Sem Saída seja uma leitura sem muito destaque, ainda mais se considerarmos o bom arco anterior, Homem-Aranha Superior: Mente Conturbada, é perceptível como a trama leva o leitor a querer acompanhar esta nova fase do Aranha.

Se Dan Slott continua surpreender o leitor, o mesmo não pode ser dito da arte de Humberto Ramos. Ainda a frente desta fase do Aranha, o desenhista permanece sem evoluir seu estilo artístico, com diversas personagens levemente rebuscadas – para não dizer tortas – e as características bocas abertas, tradicionais de seu traço. Porém, as cenas de ação, ao menos, são bem desenvolvidas e compreensíveis quadro após quadro. Muitos leitores reclamam de seus traços mas é notável que, se o desenhista ainda se mantém a frente da revista, deve manter uma parcela fiel de fãs.

A esta altura dos relançamentos, é improvável que os leitores abandonem a coleção, apesar de uma história inferior as demais. De qualquer maneira, em linhas gerais, Homem-Aranha Superior: Sem Saída não perde a força erigida pelas histórias anteriores e apresenta um interessante gancho para uma futura história, mantendo com qualidade a longeva passagem de Slott no título.

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