Resenha | Manual do Prof. Pardal

Para o adorável professor Pardal, há magia na tecnologia, sendo que ambas não tem muita diferença para o inventor que faz acontecer, e traz a sua imaginação mirabolante para uma realidade utilitária. Pardal é a versão infantil de Da Vinci, Santos Dumont e Benjamin Franklin, que aliás são lembrados neste Manual do Prof. Pardal junto de muitos outros gênios da humanidade que, um dia, já viveram sob a alcunha de “malucos”. Se já acharam que era impossível o homem ganhar os céus, se comunicar a grandes distâncias, e ter uma chama eterna em cada casa, chamada de eletricidade (é só pagar a conta, todo mês), alguém precisava ser ‘doido’ o suficiente para tornar tudo isso tangível, e patentear as utopias que já foram impossíveis. Algo que, para nosso personagem, um dos melhores já criados por Walt Disney, sempre faz parte da rotina.

É por isso que, em Monotonópolis, o povo não se acostumou com as grandes invenções revolucionárias da família Pardal – uma vertente criadora herdada desde o vovô Pardal, quando este já deixava a cidade inteira maluca de tanto dançar com seu “dançofone”, um instrumento que emitia sons irresistíveis! Anos depois, em Patópolis (a família foi expulsa de Monotonópolis, porque será?), Pardal cresceu sabendo que atrapalhar os outros com suas invenções não era nem um pouco legal. Portanto, para ajudá-lo a trazer seus projetos para o dia a dia das pessoas, ele logo tratou de montar um ajudante com suas próprias mãos: o Lampadinha, um mini robô tão inteligente que, quando sua lâmpada queima um fuzil, ele mesmo troca sua “cabeça”. Papo de louco? Não, apenas mais um dia no laboratório do bom e velho Pardal.

Disney também sonhava com um mundo melhor, e mais fácil, e nos convida ao mesmo com uma graça ímpar. Um pó que faz chover, um carro que pula para escapar do trânsito local de Patópolis, um destorcedor de ciclones (um objeto que inverte a direção dos ventos de um furacão, acabando assim com o fenômeno)… Tudo isso e muito mais podemos desfrutar neste Manual do Prof. Pardal, um verdadeiro tesouro criativo que permite, a todos os públicos e idades, viajar pela história dos grandes inventos, indo do telefone ao foguete, da luneta ao submarino. O livro, dotado de um texto delicioso e irreverente, e desenhos coloridos mais que divertidos, nos instiga a pensar e achar soluções graciosas para os problemas do nosso dia a dia, da mesma forma como os grandes inventores do passado um dia também se questionaram. Isso explica porque o primeiro mandamento do inventor, segundo Walt Disney, é: “Preocupar-se com seus semelhantes, a fim de descobrir quais são suas necessidades”.

Mas Pardal e Lampadinha não estão cercados apenas de máquinas malucas, e tubos de ensaio, não. Eles dividem suas aventuras com o pato Donald e seus três jovens sobrinhos, afinal de contas, em Patópolis moram todos eles – para o stress de Donald, sempre ranzinza. Ou melhor, quase sempre: um dia, para ajudar um navio que naufragou na cidade, os sobrinhos de Donald deram ao tio um grande motivo de orgulho, usando bolinhas de tênis para puxar o navio de volta à superfície. A ideia não só deu certo nas histórias em quadrinhos de 1952, como em 1964, quando o Al Kuwait realmente afundou, usaram essa ideia para trazê-lo à tona com bolinhas de plástico, ainda mais leves… e não é que deu certo?! Donald deve estar até hoje contando essa história para todo mundo em Patópolis, a cidade oficial dos grandes criadores. Quem não estaria? A editora Abril acertou em cheio em republicar o Manual do Prof. Pardal em 2016, apresentando-o para uma nova geração de leitores a ser os nossos Pardais, de amanhã.

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