Resenha | Mercenário – Anatomia de um Assassino

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Personagem pertencente à galeria de vilões de Demolidor, Mercenário foi criado por Marv Wolvman e estreou em março de 1976 na revista homônima do Homem sem Medo. O vilão capaz de usar qualquer objeto como um projétil letal foi parte integrante da fase áurea assinada por Frank Miller e responsável pela morte de um dos grandes amores de Matt Murdock.

Trabalhando para Wilson Filk, o Rei do Crime, o vilão também participa de histórias do Justiceiro e em um breve resumo de sua carreira foi responsável por mais um assassinato envolvendo as paixões de Murdock, integrou o Thunderbolts, atuou como um falso Gavião Arqueiro em Reino Sombrio e saiu temporariamente de cena em Terra das Sombras.

Lançado pela Panini Comics em edição encadernada com capa dura, Mercenário – Anatomia de um Assassino compila uma minissérie em cinco partes, lançadas originalmente no país na revista Demolidor – O Homem Sem Medo nas edições de 19 a 23. A história trabalha duas linhas narrativas paralelas: um pano de fundo situado no presente com o vilão aprisionado e interrogado sobre o paradeiro de bombas nucleares, e sua história passada, vista desde a infância, a partir de diálogos surgidos no interrogatório.

A intenção do roteiro de Daniel Way é ampliar a mitologia da personagem, discutindo a origem de sua mira certeira – desenvolvida por um talento natural ou fruto de algum poder meta-humano? – e apresentar uma base para justificar sua psicopatia. A cada edição, momentos distintos do passado são apresentados: a infância com o pai abusador, uma carreira breve como jogador de baseball, um trabalho para a NSA em missões de grande risco, até se tornar o vilão conhecido pelo público e destacado por Miller em sua brilhante passagem pelas histórias de Demolidor.

Os recortes do passado são costurados com o interrogatório realizado, no presente, por dois agentes em uma prisão exclusiva para contê-lo, ou seja, sem nenhum material disponível que lhe forneça o potencial para se transformar em projétil. Boa parte do interrogatório se compõe de forma satisfatória na tensão entre mocinhos e vilão. Mas o desfecho demonstra claramente que esta trama funciona somente como conectivo para apresentar um breve resumo do passado pregresso da personagem.

As capas assinadas por Mike Deodato Jr. são de grande contraste em comparação com a arte de Steve Dillon. A arte do primeiro é exageradamente impactante e representa o vilão sempre com excesso de músculos; enquanto Dillon, que assinou os traços de grandes fases de Hellblazer e Justiceiro, além da saga Preacher, possui um estilo artístico mais tradicional, e trabalha com eficiência traços simples e breves que caracterizam personagens com perfeição, mas cujos recursos dependem do uso da coloração para uma representação iconográfica completa.

A edição da Panini apresenta bom acabamento e dá vazão ao movimento recente de utilizar capas duras nas publicações do país, presentes tanto em livros quanto nos quadrinhos. Dessa maneira, a editora publica material relativamente antigo, ou compilados inéditos, em uma edição que chama atenção do público pela qualidade e, neste caso, com um bom custo benefício para o bolso do leitor.

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