Quadrinhos

Resenha | Metrópolis - Osamu Tezuka

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Metropolis - Tezuka - NewPop

Leitores de mangá que surgiram em meados de 2000, com os lançamentos da Conrad e JBC, aguardaram muito tempo para conhecer a obra de Osamu Tezuka. Seu nome era citado como referência máxima dos quadrinhos japoneses, mas, na época, salvos A Princesa e o Cavaleiro e a coleção em livros de Buda, pouco material recente do autor havia no mercado.

Desde 2010, a editora NewPOP vem lançando os trabalhos deste grande escritor e desenhista. Se hoje o estilo é conhecido pelas revoluções de Tezuka, é necessário retornar ao princípio para compreender quais foram as mudanças.

Publicado em 1948, Metrópolis é um exercício futurista do mangaká. Embora haja um filme homônimo de 1927, o mangaká nunca o assistiu. Mas a imagem de um cartaz da produção foi o suficiente para inspirá-lo a produzir sua história.

O ano é 19xx. A ausência de um número específico oferece um sentido universal à história em qualquer futuro. O Dr. Yorshire Bell faz a introdução da trama por meio de uma aula sobre a evolução das espécies desde os dinossauros. Aponta avanços da ciência durante os anos e como estes podem ser destrutivos ao homem.

Em Metrópolis, a polícia procura o temido Duque Red, líder de uma gangue infiltrada em uma conferência de cientistas. Red conhece o Dr. Charles Lawton, pesquisador de formas de vida criadas a partir de células sintéticas, e obriga-o a gerar uma criança a fim de transformá-la em criminosa. Após produzi-la, ciente do potencial destrutivo de sua cria, o cientista ateia fogo em suas instalações e foge com Michi, uma criança artificial com superpoderes.

O futuro é apresentado pelo autor de maneira bem-humorada. O apelo é mais voltado ao público infantil do que ao juvenil, como uma história para os infantes adentrarem o mundo da ficção científica. A presença do humor nonsense traz leveza ao argumento, demonstrando a intenção de Tezuka em, mesmo em se tratando de um assunto sério, permeá-lo com linhas suaves.

A narrativa tem estilo dinâmico e a composição de seus quadros e desenhos, hoje tão comum em qualquer mangá, foi um grande diferencial na época de seu lançamento. O escritor e desenhista não se preocupa em realizar cortes abruptos entre uma página e outra, dando um dinamismo invejável à história. O traço simples e eficiente é composto por muitos quadros em ângulos diferentes do tradicional, e, além de produzir estranhamento no leitor, favorece a percepção quase cinematográfica do enredo.

Ao contrário de diversas publicações seriadas intermináveis, Metrópolis foi lançado em um único tomo. A brevidade da obra e o talento evidente de Tezuka são pesos que fazem desta obra mais atrativa do que muitas outras no mercado editorial.

Thiago Augusto Corrêa

Apreciador de cinema, literatura, quadrinhos e música. Formado em Letras, escritor e metido a sabichão.
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