Quadrinhos

Resenha | Morte no Bronx (Vertigo Crime)

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Morte No Bronx

Criado em 2009 como extensão do selo com mesmo nome, Vertigo Crime é direcionado ao universo das histórias policiais de crimes e investigações. Publicadas em preto e branco, em histórias completas e fechadas, o selo reúne talentosos escritores e desenhistas, lhes dando maior possibilidade de produzir um enredo inédito sem amarras de cronologia.

O selo é uma evidente homenagem as histórias pulp americanas. Surgido em meados de 1930, o novo gênero da literatura policial conhecido como noir – negro, em francês – encontrou na América decadente de Tio Sam o espaço necessário para se desenvolver e se popularizar. Foi a época em que detetives famosos surgiram nas mãos de grandes escritores, entre eles Dashiel Hammett e Raymond Chandler, compostos de maneira diferentes daqueles vistos em história de enigma. Eram homens marginalizados, presos a moral por um fio cambiante que nunca deixavam os vícios de lado: bebida, cigarro ou mulheres.

A New Pop Editora coloca no mercado brasileiro duas dessas histórias, além de confirmar mais quatro – das treze existentes – para lançamento futuro. Escrito por Peter Milligan (“Alvo Humano” e “Greek Street”), presente na Vertigo desde sua criação, e desenhado por James Romberger (“Seven Miles a Second”), o escolhido para estrear o selo no país foi Morte no Bronx.

A trama gira em torno de gerações da família Keane, compostas por policiais e marcada pela morte de um deles e o desaparecimento de um membro da família. Decepcionando as gerações anteriores, Martin Keane é um escritor que vive em crise com seu trabalho, devido a má recepção de seu segundo romance. Quando sua esposa, Erin, desaparece, Martin desmorona e se volta ao passado descobrindo que os segredos da família podem ser responsáveis pelo desaparecimento de sua mulher.

Durante a leitura acompanhamos duas jornadas distintas. A investigação de Martin sobre seu passado e a reconstrução de sua força como escritor. Alternando entre a investigação própria e o romance que desenvolve a partir dela. O diferencial deste enredo é que a graphic novel é entrecortada por capítulos narrativos do livro que escreve. Promovendo um diálogo explícito com a própria narrativa policial.

A divisão entre prosa e quadrinhos é composta para criar a tensão necessária entre cada foco de visão, alternando-as em momentos chaves da história, conduzindo com talento o elemento oculto da história que se revela somente no final.

A edição brasileira tem bom acabamento e tamanho, remetendo-se também no elemento físico aos livros de bolso do gênero que, nos Estados Unidos, foram fonte de muitos autores policiais. Há raros erros que passaram pelo revisor e o preço é convidativo, sendo uma boa opção para quem gosta de quadrinhos, mas não acompanha séries mensais, e admira a literatura policial.

Além de Morte no Bronx, a editora lançou Cidade da Neblina, de Andersen Gabrych e Brad Rader.

Thiago Augusto Corrêa

Apreciador de cinema, literatura, quadrinhos e música. Formado em Letras, escritor e metido a sabichão.
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