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Resenha | Mulher-Maravilha: O Espírito da Verdade

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Como parte da iniciativa de Paul Dini e Alex Ross em catalogar historias que emulam o clássico dos personagens icônicos da DC – compiladas em Os Maiores Super-Heróis do Mundo - Mulher Maravilha: O Espírito da Verdade é mais um exemplar da boa parceria da dupla, que escreveu o argumento junto e deu a luz a mais uma aventura da amazona poderosa de Themyscera.

A historia em si começa com um monologo mental da heroína, pouco antes de atacar um grupo terrorista na parte continental do mundo, que ela chamava de terra dos homens.Logo depois seguem duas splash pages fabulosas, uma da ação em si, outra com Diana como figura central em meio a lembranças de outras figuras vilanescas, com quem teve embates no passado.

A revista é praticamente toda narrada pela personagem central, e parte de sua rotina e cotidiano são mostradas de modo bem natural, sem glamour, fato que a humaniza acima de tudo. Poder ver os efeitos visuais provenientes das portas do Jato Invisível é curioso, com um relevo mais colorido para identificar um veículo que normalmente não se vê

Por mais invasivo que possa parecer os métodos da Mulher Maravilha, ela não julga os bandidos que captura, deixa para corte e juiz decidirem, se ausenta e tem consciência o suficiente de que os bandidos mais perigosos são os que usam um verniz de normalidade para cometer seus atos maus, em um discurso central contra a corrupção. O roteiro dribla bem questões genéricas normalmente atribuídas a esse tipo de discurso, não há nada derivativo, e sim  reflexões consideravelmente profundas, guardas as devidas proporções claro, sobre o papel dos super humanos na política e contexto social do mundo, em especial sobre evitar guerras e ajudar feridos e necessitados.

A sensação do passar do tempo é para Diana, mas ficar longe do seu lugar de origem faz tudo parecer ir mais devagar. As partes passadas na ilha das amazonas mostram um equilíbrio praticamente perfeito entre ciência, tecnologia e natureza. Um dos poucos momentos que Diana não faz um monologo, é em uma conversa com Clark Kent, o alter ego do Super Homem, e nesse ponto a historia se conecta bastante com Superman: Paz na Terra, no sentido da heroína se vestir como uma civil comum, para ajudar o povo por dentro, sem ostentar seus brasões e cores comuns, como uma humana comum.

Ainda que haja um belo enfoque no modo de operar da heroína como pessoa anônima, quando ela se mostra para a ação o mundo para, e Ross é muito reverencial a figura mítica que é a guerreira amazona, seja com ela largando as roupas civis, ou mesmo nas páginas duplas a frente de uma explosão. Mesmo que na descrição a “cena” possa parecer clichê, aqui é muito bonita e simbólica, compondo um quadro quase divino, descobrindo que poderia ser uma guerreira, uma mulher de paz e uma fonte de inspiração, tudo na mesma carne, entendendo também o quanto de maniqueísmo terá que driblar para ser todas essas mulheres ao mesmo tempo.

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Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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