Resenha | Os Livros do Destino

Os Livros do Destino - capa

Edições especiais com enfoque em grandes personagens sempre são um bom produto de mercado, ainda mais quando a história apresenta um abrangente resumo cronológico de sua carreira em uma releitura de suas origens. Para o leitor tradicional, há a possibilidade de ler uma histórica dedicada a um personagem que não tem uma revista mensal; aos novatos, funciona como um breve resumo de anos de cronologia. Ed Brubaker reconta a trajetória do vilão Doutor Destino nesta minissérie de seis edições lançadas pela Panini Comics em 2008 em Universo Marvel Anual nº 2, e relançada no ano passado no formato encadernado em capa dura.

Diante de um personagem prepotente e totalitário, a narrativa se curva ao próprio Victor Von Doom, que narra sua história em um aparente programa gravado. O vilão invade quadros como se fosse capaz de intervir em seu próprio passado, apresentando sua infância ao lado do clã dos Voon Doom, ciganos da Latvéria, e a tragédia que lhe tirou a mãe e, posteriormente, o pai. Apresentando sua trajetória, a visão deturpada de sua história é transformada em uma ascensão amoral de vitórias e ganhos, sem poucos momentos sinceros sobre sua persona vil. Fica explícito ao leitor que se trata de uma espécie de documentário sobre sua vida, destacado pelos depoimentos de outros conhecidos que também fizeram parte de sua jornada inicial.

A história de Victor Von Doom é complexa e carregada de dramas internos de um jovem incapaz de controlar seu próprio destino. Uma composição mais profunda do que outros personagens de seu universo Marvel, como o Quarteto Fantástico. O enfoque no drama do garoto conduz a história de Brubaker, carregando contornos trágicos da transformação de um perdido adolescente em um homem inteligente capaz de dominar os medos e conquistar seus objetivos de qualquer maneira. Sua composição psicológica permite que o roteiro transite entre pontos obscuros de um tirano para um homem frágil, ainda preso à figura de sua mãe, Cynthia, aprisionada no inferno após um pacto com o demônio Mephisto. As seis edições situam as travessias de Von Doom para Destino quando compõe com tecnologia e magia uma armadura que lhe dá maiores poderes e afastaria a ligação maternal com o diabo. A composição entre misticismo e tecnologia é um dos cernes do vilão e do título do Quarteto Fantástico, no qual estreou, na quinta edição publicada no longínquo ano de 1961.

Como o enfoque é estritamente o vilão humanizado, a participação de qualquer membro do Quarteto é mostrada em poucas cenas, apenas situando Reed Richards apontando erros de cálculo em um projeto de Victor, que culminaria nas cicatrizes de seu rosto, e sendo a força propulsora para uma raiva agressiva que faz do Senhor Fantástico o responsável por parte dos dramas vividos por Destino.

Sem modificações na cronologia da personagem ou releituras de acontecimentos prévios como Brubaker faz em O Palhaço que Ri, da DC Comics, o roteiro apenas segue os pontos-chave de transformação de Destino, pontuando acontecimentos que culminaram na personalidade conhecida pelos leitores. Nas últimas páginas, há uma tentativa de produzir uma ação final de grande impacto, mas feita de maneira tão comum que poderia ter sido evitada.

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