Resenha | Parafusos, Zumbis e Monstros do Espaço

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Ser surpreendido nos dias de hoje com uma história é tarefa para poucos artistas, ainda mais se a história em questão abordar a temática zumbis, assunto pra lá de manjado nos últimos tempos, sendo abordado em filmes, livros, séries, desenhos animados, sex shops – os necrófilos piram – e por aí vai.

O fato é que Parafusos, Zumbis e Monstros do Espaço, HQ do paraibano Juscelino Neco, é um bom exemplo de história que consegue surpreender o leitor, não por proporcionar epifanias envolvendo teorias existenciais sobre a vida, o universo e tudo mais ou coisa que valha, mas justamente por conseguir cumprir aquilo que se propõe: ser uma história simples, mostrando que é possível unir humor e violência em um texto inteligente e dinâmico.

Na trama, conhecemos Dolfilander (o pai do sujeito era um fã do Dolph Lundgren, mas ao registrar saiu isso aí), um fanático por cultura pop, viciado em videogames e conhecido por seus problemas para encarar a vida adulta. Tudo muda quando o rapaz, em uma tarde qualquer no almoxarifado do seu trabalho, decide utilizar parafusos na máquina de pregos. O resultado não é dos mais satisfatórios, e Dolfi fica com um parafuso alojado na testa sem poder retirá-lo, sob o risco de se tornar um vegetal.

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A vida de Dolfi segue numa descendente repleta de álcool e pornôs japoneses, até que um dia uma experiência traumática muda sua vida. Após uma noite de sexo com uma gata, nosso herói acorda numa banheira com gelo, e após verificar que seu rim não havia sido roubado, Dolfi descobre que foi usado por um híbrido de mulher e aranha que havia usado o seu corpo para depositar os ovos para serem concebidos por ele. Para remediar a situação, Dolfi passa por uma série de operações cirúrgicas que o transformam em um super-humano capaz de partir crânios com as mãos e comer impressionantes 30 hambúrgueres em menos de uma hora. Fritas incluso, como bem expresso na sinopse da HQ.

Como dito anteriormente, o trabalho de Juscelino Neco é bastante competente, seu texto é ágil e direto, seus diálogos são sarcásticos e sempre bem humorados. Outro ponto a se observar são as inúmeras referências existentes na obra, desde Tom Savini, Tarantino, Alien, A Experiência e tantas outras. Se isso não bastasse, o traço do autor é simples e objetivo, com o dinamismo certo para o que o roteiro pede.

Depois de acertar em cheio com a publicação de A Arte de Voar, a editora Veneta acerta mais uma vez com Parafusos, Zumbis e Monstros do Espaço.

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