[Resenha] Pato Donald por Carl Barks: A Cidade Fantasma

O quarto volume da série que pretende republicar toda a obra do Homem dos Patos é ao mesmo tempo o maior e o mais fraco que a Editora Abril publicou até agora. Com 252 páginas, Pato Donald por Carl Barks: A Cidade Fantasma corresponde cronologicamente ao volume 15 da coleção, e passa longe da fase de ouro do autor. Embora Barks se mostre muito mais à vontade tanto ao escrever quanto ao desenhar os personagens, algumas soluções de roteiro se mostram muito simplistas e em alguns momentos até mesmo preguiçosas. O traço dos patos está mais simples que nas edições anteriores, e Donald parece mais jovem e menos pesado, com seu bico menos alongado, pescoço mais curto e cabeça mais arredondada.

As histórias dessa edição são de dezembro de 1953 a junho de 1955, e são mais curtas, sem os grandes épicos das edições anteriores. O foco está mais voltado para o dia a dia do Pato Donald, seus relacionamentos com a família e os vários ofícios que exerce para sobreviver. Embora não apresente histórias épicas, podemos destacar vários clássicos nesse volume, como Puxa-Puxa, que caramelo!, O faz-tudo, e Quem tutu quer, tutu perde. Essa última tem algumas curiosidades, como a aparição de um gato muito parecido com Lúcifer, de Cinderela, ou uma versão meio abobalhada do Professor Pardal bem diferente do que estamos acostumados hoje em dia. Em O preço da glória, Donald cisma que tem o dom cantar e quer participar de um programa de televisão, deixando os sobrinhos enlouquecidos com seus ensaios. Na tradução, todas as músicas cantadas por Donald são da banda Pato Fu, o que soa um tanto quanto anacrônico se lembrarmos da data e país de origem dessa história – talvez o tradutor Marcelo Alencar tenha as inserido para brincar com o nome da banda.

A história que dá nome ao volume é a primeira a ser apresentada, e é uma ótima peça de comédia que homenageia os filmes de bangue-bangue muito populares à época. Porém, diferente de O Xerife do Vale Balaço, publicada anteriormente na coleção, a história é mais comedida no que se pesa à aventura. Mesmo assim, mostra um Pato Donald decidido a até mesmo pegar em armas para defender sua família de um suposto fantasma! Além de várias outras histórias de dez páginas, vemos duas que foi republicada há pouco tempo, com colorização diferente, no especial Contos de Natal por Carl Barks,  mas que valem a pena serem relidas (Um camelo de graça… é caro e Presentes para todos). Jogo de tênis, gag de uma página só, é um caso curioso: é uma das duas únicas histórias roteirizadas por Barks e desenhada por outro artista (no caso, Tony Strobl). Outro caso curioso é a história Pato Donald fala sobre pipas, que não tem roteiro de Barks e foi distribuída gratuitamente por companhias elétricas para alertar as crianças sobre os perigos de soltar pipas perto de fios e torres de energia.

Embora não tenha grandes épicos e apresente uma qualidade inferior de roteiro e arte, esse volume ainda assim é bastante divertido e, por conter histórias menores, mais variado que os demais. Vemos um Pato Donald mais humano, um verdadeiro homem comum, que se esforça para atingir seus objetivos mesmo que, muitas vezes, não consiga. Temos, rivalidades, humor  e uma boa dose de inconsequência, além de textos explicativos e excelente qualidade gráfica, que podem agradar tanto o leitor casual quanto o mais exigente colecionador.

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