Resenha | Patrulha do Destino: A Pintura Que Devorou o País

Patrulha do Destino - A Pintura Que Devorou Paris - capa

A Panini Comics tem feito um interessante trabalho em resgatar algumas fases clássicas de personagens pouco conhecidos do público, como a publicação de todo o arco do Monstro do Pântano, no momento em que Alan Moore foi o roteirista e também de o Homem-Animal, de Grant Morrison, como exemplo. Neste esteio um grupo mais underground (é chique o uso de termos em inglês em seu texto, dá a ideia de que você tem um conhecimento maior do que o real, se for em francês então…) entrou neste processo de publicação A Patrulha do Destino, de Morrison, talvez um dos grupos menos conhecidos da DC Comics e também interessantes, já que a sua premissa básica são super seres com poderes bizarros, como se fossem os párias do mundo dos heróis.

O fato de serem desconhecidos se trata de uma vantagem já que há um a possibilidade de liberdade editorial que não aconteceria em outros personagens. E essa liberdade é o destaque do segundo arco publicado aqui no Brasil A Pintura Que Devorou o País, no qual Morrison, com arte de Richard Case e John Nyberg, que são fundamentais para o sucesso da História, nos apresentam uma verdadeira viagem, tanto no que se trata de conceitos estranhos e interessantes como em termos de exploração de princípios artísticos.

Basicamente, existe uma pintura que tem o poder de absorver as coisas que estão a sua volta, a Irmandade do Mal, que passou a se chamar Irmandade de Dadá, toma posse desta obra de arte e consegue que ela absorva a capital da França. Neste ponto, a patrulha do Destino entra em cena e na pintura para combater a Irmandade e também devolver paris para a sua realidade.

Neste ponto que as coisas ficam mais interessantes e a HQ ganha o seu destaque, dentro da pintura existem múltiplas realidade e cada qual obedece a lógica de uma determinada escola artística, o que faz com que o experimentalismo dos desenhistas ganhem força, já que tem emular os conceitos e prerrogativas de cada movimento artístico nas páginas da HQ. Ainda neste quesito de arte, não sei se proposital, mas a capa da edição lembra muito a arte do álbum Ummagumma, do Pink Floyd. Dentro do quadro se descobre uma ameaça ainda maior que une heróis e vilões, e a resolução dos problemas também é sensacional.

Ainda neste encadernado há outros arcos: “Nos subterrâneos”, “A seita do livro inescrito ou o descriador” e “A alma de uma nova máquina”. Todas são boas histórias, mas destacaria “Nos subterrâneos”, uma passagem que aprofunda em uma das personagens que considero mais interessantes, Crazy Jane (basicamente ela múltiplas personalidades e cada qual tem um poder), se trata de um arco mais sério e interessante no qual se entende como funciona a caótica psique de Jane, porém bem explorado por Morrison.

Enfim, para quem procura algo diferente, mas ainda tem medo de ler coisas que não envolvam super heróis ou fora do eixo Marvel – DC, se trata de uma HQ bastante interessante de fácil acesso já que é comercializada em bancas e de preço razoável. E também é uma oportunidade de conhecer Grant Morrison em um momento mais inicial de sua carreira.

Texto de autoria de Douglas Biagio Puglia.