Resenha | Penadinho – Vida

A iniciativa Graphic MSP idealizada pelo editor Sidney Gusman tem como proposta a releitura dos personagens de Maurício de Sousa, cada artista teria uma certa liberdade para tratar de determinados personagens, garantindo novos olhares e possibilidades de abordagem dos mesmos.

Nesta linha que foi lançado Penadinho – Vida, de Cristina Eiko e Paulo Crumbim. Os autores, que além de quadrinistas também trabalham com animação, se destacaram, principalmente, com o projeto Quadrinhos A2, no qual chegaram a ganhar um prêmio HQ Mix de “melhor publicação independente de autor”.

A obra retrata um dilema vivido pelo personagem principal Penadinho, que recebe a notícia que o seu amor Alminha irá reencarnar e, portanto, o romance vivido pelos dois chegará ao fim. Essa trama básica demonstra uma interessante alteração do princípio de “até que a morte os separe” para “até que a vida os separe”. Mas, passado essa questão bacana, há outras questões a serem observadas no quadrinho.

Em primeiro lugar se trata de uma trama bastante simples, uma aventura da Turma do Penadinho como outra qualquer. Para ficarmos em uma comparação dentro do mesmo projeto MSP, os irmãos Vitor e Lu Cafaggi ao produzirem Turma da Mônica – Laços também narram uma aventura simples da Turma da Mônica, porém, o fazem com personagens carismáticos em uma história emotiva e com um certo tom nostálgico, o que não pode ser dito sobre Penadinho.

A leitura deixa sempre a sensação de que falta algo, é tudo muito normal, ordinário. E, contribuindo com essa sensação, se destaca a personagem Alminha, que é fundamental para a trama, mas em momento algum consegue transparecer qualquer carisma, o que me levou a pensar em um dado momento se o Penadinho não merecia alguém melhor para passar a eternidade.

Mas, se a trama deixa um pouco a desejar, o mesmo não pode ser dito da arte, que é sensacional. As cores utilizadas e o próprio design de personagens é incrível, realmente digno de elogios, mostrando toda a capacidade e competência dos autores no aspecto arte sequencial. Percebe se uma fluidez no traço que agrada durante toda a leitura. Outro ponto interessante são as referências utilizadas pelos autores ao longo da narrativa, desde clássicos do cinema de terror, como também outras obras do Mauricio.

Bem, não se trata dos melhores lançamentos da minha Graphic MSP, mas também não se enquadra entre os piores. Muitas das vezes geramos muita expectativa em relação a um determinado produto e quando essa sensação não é correspondida acaba por gerar uma certa frustração. Enfim, devido aos autores esperava um pouco mais desse trabalho, o que de modo algum signifique dizer que não se deve ler o quadrinho, apenas que não vá com muita sede ao pote.

Compre: Penadinho – Vida.

Texto de autoria de Douglas Biagio Puglia.

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