Resenha | Popeye – Clássico

“Macacos me mordam!”

O marinheiro Popeye é, certamente, um dos personagens mais icônicos a habitar o imaginário popular criado pelos desenhos mais clássicos já transmitidos pela TV, no Brasil. Conhecido por inúmeros motivos, desde sua silhueta inconfundível a seus bordões, e coadjuvantes de luxo, pouca gente ainda lembra (ou sabe) que Popeye, assim como A Turma da Mônica e outros que também ganharam desenhos animados na telinha, veio dos quadrinhos há muito tempo – e bota tempo nisso. No intuito de reunir suas grandes histórias que resumem todo o seu carisma, essa publicação da Ediouro (Pixel Media) faz total justiça as origens do personagem, um dos azes de ouro de uma era em que criatividade e diversão pareciam ser sinônimos nas criações, mundo afora.

Em pouco mais de cem páginas, Popeye – Clássico está para nós, assim como vários outros compilados também estão para juntar grandes momentos de uma figura já célebre, e consolidada na cultura pop mundial. Todo mundo sabe quem é Popeye, o que ele gosta, o que ele não gosta (talvez isso seja o mais importante, rendendo mil e um conflitos engraçados para o personagem), seus antagonistas e companheiros de tantas aventuras, seja na ilha dos fantasmas ou em casa, num dia quente de verão onde tudo, absolutamente tudo dá errado. Popeye faz parte de um tempo que achava graça de si mesmo, quase que sem limites, respeitando claro seu público infantil, e esse tempo merece ser visitado pelas gerações mais novas que desconhecem qualquer coisa que veio antes dos anos 2000.

Isso porque o cartunista Bud Sagendorf foi muito feliz quando assumiu a vaga criativa do verdadeiro criador de Popeye, o americano Elzie Crisier Segar, anos após o gênio Segar já ter morrido de leucemia, e a extinta editora Dell ter escolhido Bud como o desenhista oficial do nosso marinheiro, sempre viciado em espinafre – e em sua querida Olívia Palito. Por cinquenta anos, Bud ainda é o artista que mais tempo desenhou Popeye, assumindo o legado de Elzie até 1994, revitalizando e criando centenas de novas histórias para o personagem, há 90 anos sendo publicado em um sem-número de jornais e revistas em tirinhas que conquistaram o público, sem fronteiras. Na terra, ou no mar, suas encrencas carregam um gosto de infância e irreverência que só é igualado por uma matinê sábado de manhã no sofá, vendo nossos desenhos favoritos na televisão.

O tempo passou, como para tantas outras criações, e hoje vemos que Popeye – Clássico expõe as mazelas éticas que muitas sociedades já superaram, e outras ainda estão buscando superar – como o machismo, e um leve politicamente incorreto que pode ferir alguns. Se antes tudo isso era normatizado, muitos dos leitores hão de perceber como algumas coisas de fato mudaram – e outras, nem tanto, já que Popeye é o típico valentão que age quase sem pensar, ou primeiro esmurra alguém e depois pergunta. Porém, por trás de suas mãos enormes, e sua cara de mal, há o coração de um bom amigo, um pai prestativo, e um cara rabugento que adora velejar e se envolver nos problemas dos outros para tentar resolvê-los, e é claro, só piora as coisas.

O traço típico e as cores vivas e chapadas do universo de Popeye são tão simples quanto deliciosos, e nos divertem do primeiro quadrinho ao último com total facilidade. Hoje, após quase um século de existência da marca Popeye, sua figura já é considerada em muitos países de domínio público – no Brasil, o prazo é de 70 anos após o lançamento de uma criação. “Qualquer um pode utilizá-lo em camisas ou pôsteres, mas se você vender um boneco ou uma lata de espinafre do Popeye, pode estar infringindo uma marca registrada”, explica Mark Owen, especialista em propriedade intelectual. Todos querem ter Popeye, e com essas historinhas nos apaixonando mais uma vez por ele, podemos finalmente ter o nosso marinheiro atrapalhado e seus amigos na nossa mão – e bem mais de uma vez.

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