Resenha | Precisa Haver um Superman?

Precisa Haver Um Superman

Publicada em 1972, na Revista Superman 247, esta história conta com roteiro de Elliot S. Maggin e lápis de Curt Swan. Precisa Haver um Superman? é uma extrapolação do conceito do herói sobre-humano que discute a real necessidade da humanidade em ter um salvador onipotente olhando para os seus anseios.

A trama começa narrando uma aventura espacial do Super-Escoteiro, a fim de deter uma bolsa cheia de esporos que vinha na direção da galáxia terráquea. A função do herói é desviar o artefato, mas o lugar onde ele está é lotado de estrelas vermelhas – como o sol de Krypton – que tirariam seus poderes. Na tentativa de deter o corpo celeste, Super-Homem acaba desacordado. Ao acordar em outro ambiente, ele toma ciência de que foi encontrado por Katman Tu – uma lanterna verde – e imediatamente entregue aos Guardiões de Oa.

Um dos anõezinhos azuis o indaga a respeito de sua interferência na vida do homem comum, e como isso causaria um atraso na evolução cultural dos humanos. O argumento seria que a humanidade tende a relaxar em virtude do seu intervencionismo, poluindo, degradando o ambiente e vivendo sem escrúpulos e sem cuidados básicos.

O que os Guardiões fazem é sugerir que o Super-Homem pare de interferir no livre-arbítrio do terráqueo, mas eles o fazem sem imposição – o que ocasiona ao herói um questionamento de sua real utilidade. Logo ele percebe a realidade. Ao se defrontar com um problema social que poderia ser resolvido pelos reivindicantes sozinhos, Super percebe que as pessoas só tomam e se enchem de coragem porque ele está presente. O problema tem relação com um imigrante mexicano, o que remete as memórias de refugiado alienígena do próprio Kal-El.

A mensagem final do conto é infantil – até porque esse era o público alvo da revista. As ações do super-herói seriam restritas a coisas impossíveis para o humano ordinário, como catástrofes naturais. No encerramento  é mostrado que este era o plano inicial dos Guardiões de OA. A tarefa sobre-humana do herói flerta com a mensagem de desígnios divinos, e com uma ideia pregada por alguns religiosos de que as divindades só agiriam nas causas impossíveis para a ação dos mortais.