Resenha | Pride: O Supercampeão

Olhe atentamente para a imagem acima. Lhe parece familiar? Sei exatamente o que você está pensando. Mas você pensou errado. Pride é do mesmo autor de Captain Tsubasa (conhecido no Brasil como Supercampeões), Yōichi Takahashi. O futebol é novamente o tema central. Porém, diferente da obra anterior, Pride tem um foco diferente: as questões pessoais dos personagens.

Pode soar estranho, mas os jogos de futebol têm pouco espaço aqui. Eles existem, claro, mas são mostrados de forma rápida, e não se estendem por muitas páginas. O destaque, como já foi dito, está na vida dos personagens. Isso acaba sendo uma faca de dois gumes.

No primeiro volume, o famoso jogador Yoshida sofre uma grave lesão e se afasta dos gramados por três anos. Após tanto tempo parado, ele está sem ritmo de jogo e precisa recomeçar de baixo. Com isso, ele abdica da primeira divisão (J1) e entra em um time da J2. E infelizmente descobre que suas habilidades decaíram muito.

A frustração de Yoshida é nítida. Exímio atacante da J1, agora não consegue ter nível competitivo na J2,e seu ânimo se esvai a cada jogo. Seu maior incentivador é Iwazumi, outra aquisição de seu time na J2. Iwazumi é um grande zagueiro veterano, com mais de 40 anos de idade, jogou na seleção japonesa e pretende jogar sua última temporada antes da aposentadoria.

O baixo desempenho de Yoshida o coloca no banco de reservas, aumentando ainda mais a frustração do jogador. Então, o técnico faz uma aposta: escala Yoshida para a zaga. Apesar da falta de experiência na posição, ele tem uma grande velocidade e, teoricamente, poderia se dar bem. Daí o entrosamento entre Yoshida e Iwazumi aumenta ainda mais.

Como puderam notar, a história não é nada de extraordinária. O foco narrativo está nos dilemas e problemas de Yoshida, o que é bem interessante. Caso o foco estivesse nos jogos, correria o risco de ser um Supercampeões 2. O autor conseguiu criar um outro tom, diferenciando suas obras.

Vale destacar a arte. O traço é bem peculiar e fácil de identificar ser o autor de Supercampeões. O design de personagens não é um primor, são meio genéricos e parecidos uns com os outros, porém carismáticos na medida do possível. Alguns quadros trazem os personagens em proporções estranhíssimas, com corpos enormes e cabeça minúscula, deixando a dúvida se é proposital ou simples incompetência do artista. De forma geral, o desenho cumpre seu papel e consegue ajudar a narrativa.

O segundo volume tem outro foco. Desta vez, conhecemos a história de Hiro, um jovem prodígio do futebol que joga desde criança em campeonatos locais. A narrativa toma como base sua infância e adolescência, que é contada em flashback quando o jogador se lesiona, vai ao hospital e começa a relembrar de sua história. Aqui houve uma queda de qualidade, que já não era extraordinária. Isso porque a história é muito simples, porém no volume anterior havia um ceto foco na carreira  de Yoshida. Já a história de Hiro tem mais destaque sua namoradinha e a relação que construíram ao longo dos anos. Tudo muito banal e desinteressante, mas bem contado dentro da proposta do autor.

Sobre a tradução, a editora Nova Sampa fez uma opção interessante. Os balões de fala foram substituídos normalmente por textos em português. Já os textos narrativos, geralmente soltos no quadro, foram mantidos e a tradução inserida logo abaixo, como se fosse um filme legendado. Certamente foi uma opção que agradará os fãs mais puristas. Boa parte dos cartazes e placas seguiram a mesma linha, mantendo-se quase todos os textos originais em japonês. Tal decisão ajuda a manter a fidelidade da obra, um ponto positivo. Por outro lado, existem alguns erros de português.

Talvez o público alvo de Pride não sejam os fãs de Supercampeões. Aqui não haverá chutes com salto mortal, defesas mirabolantes e redes sendo perfuradas com a bola em alta velocidade. É uma história mais sóbria e bem feita em sua proposta. Nada espetacular, sem grandes surpresas ou emoções, mas quem busca uma leitura leve para passar o tempo, vale conferir.

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