[Resenha] Princesa Leia

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Com o intuito de lançar um novo universo expandido a partir da Marvel Comics, o universo Star Wars vem explorando todas as vertentes possíveis em espaços-temporais distintos. Ao leitor que acompanha Star Wars e Darth Vader, por exemplo, as histórias se situam após Star Wars – Episódio IV: Uma Nova Esperança. Outras aventuras como a mini-série, Star Wars: Império Despedaçado e Kanan: O Último Padawan enfocam em outra época com o intuito de fundamentar este novo universo canônico. Em comum, há uma base sólida de grandes autores e desenhistas.

Escrito por Mark Waid com arte de Terry Dodson, Princesa Leia foi uma mini-série de cinco parte situando uma das personagens centrais da saga logo após a explosão da primeira estrela da morte. Publicada no país pela Panini Comics na mensal Darth Vader #2 a #6 a série tenta aprofundar as motivações da princesa, principalmente após a missão bem sucedida de destruir a poderosa arma do Império. Indecisa sobre seus passos futuros, Leia decide procurar pela galáxia a população refugiada de Alderaan, planeta destruído pela Estrela da Morte.

Ainda que a Marvel tenha procurado grandes roteiristas para dar início a um novo universo canônico, é perceptível a delicadeza da situação desta expansão, afinal, é necessário conduzir um caminho para os personagens sem desvirtuá-los de sua essência. Waid tenta desenvolver uma personalidade ativa para a princesa mas é perceptível o quanto sua narrativa parece presa a regras que seriam melhores se quebradas. Devido a necessidade do roteiro em seguir um caminho previamente orientado, a trama se vale de recursos básicos para atrair o público como a fundamentação de uma parceira de missão para Leia como uma espécie de sidekick que surge em cena com incredulidade sobre a princesa, achando-a incapaz de manter a tradição de seu planeta destruído. Após um laço de amizade, elas realizam pequenas missões de salvamento enquanto tem de lidar com uma possível traição dentro do círculo da princesa.

Dessa maneira, as edições seguem pequenas aventuras da dupla a procura da população dispersa pela galáxia, envolvendo, sempre que possível, pequenos personagens que foram destacados pelos filmes em algum momento. Porém, exceto pequenos trechos sobre a infância da princesa, a narrativa não causa nenhum efeito, bem como a composição de Leia vacila entre uma princesa perdida a uma aventureira inconsequente, fator que poderia ser bem explorado se houvesse profundidade na história. Além disso, há uma clara ausência de cenas de ação excessivas como se os atos grandiosos tivessem de ser poupados para os momentos chave da saga. Em certos momentos, a ação é encerrada abruptamente como se cortasse o clima narrativa e, devido a brevidade da história em cinco partes, fosse apressada propositalmente para inserir o máximo de informação possível. Efeito semelhante visto em Star Wars: Império Despedaçado, um desnecessário desdobramento inserido logo após Star Wars – Episódio VI: O Retorno de Jedi.

Como série que pretende expandir a personalidade de uma das figuras importantes da saga, Princesa Leia falha e parece uma narrativa contida, tentando se manter em uma possível linha narrativa que mais a prende do que produz uma história de qualidade.

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