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Resenha | Quadrinhos A2 – 4ª Temporada

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Um dia de ócio para uma mente absurdamente criativa, pode produzir coisas fantásticas – e premissas mirabolantes. Em Quadrinhos A2, todo dia parece ser dia de uma grande ideia, mesmo que ela possa ser descartada após uma boa noite de sono. Mas a oficial mental nunca para de trabalhar, e nosso casal Paulo Crumbim e Cristina Eiko são reféns da própria imaginação, e da necessidade artística de criar, e expressar seus mundos interiores. O fardo, esse sim, precisa ser repassado para as outras pessoas, levando-as também a criação. Por que não? Não há nada mais lindo que a inspiração. E o Pino.

Eis a testemunha do dia-a-dia dos cartunistas, que neste Volume 4 da série autobiográfica, precisam dar cabo de um projeto, o quanto antes! E enquanto Cris arrasa com seus lápis e papéis, Paulo viaja mais longe que a Enterprise, no cúmulo da procrastinação – palavra tão popular na era da internet. Tramas e monstros ganham vida, e logo em seguida nós (e Pino) somos a plateia curiosa para as loucuras de Cris e seu marido, orgulhosamente tagarelas, virem à tona. Nada mais será como era antes, não depois que um limão do espaço cai na Terra, e inteligente, planeja sua vingança à humanidade por 17 anos, após ser descartado em uma feira, na cidade de São Paulo.

Em meio ao brainstorm da dupla de artistas, o novo se forma e se alimenta pela empolgação do outro – ele sempre mais impulsivo que ela, o que rende boas risadas. Os autores aproveitam uma tarde normal (que era para ser produtiva para ambos, na teoria), e abusam de traços próprios do gênero mangá, em ótimas cenas preto e branco que jamais carecem de um apelo colorido para nos divertir, encantar ou emocionar. Do ócio veio a catarse, mas não é legal ir dormir sem bolar o final da história. O fardo precisa ser repassado, na dor e na delícia de ser quem é.

Compre: Quadrinhos A2 – 4ª Temporada.

Douglas Olive

Cinéfilo formado em publicidade e iniciante com "Os Aristogatas", que assistia 5 vezes por dia na infância, e que agora começa a querer fazer seus próprios filmes. Devo estar indo longe demais.
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