Resenha | Quarteto Fantástico – Imaginautas

Quarteto Fantastico - Imaginautas - Capa

Em sincronia com o lançamento do novo filme do Quarteto Fantástico, cuja estreia está programada para agosto, a Panini Comics lança no mercado uma edição especial reunindo as primeiras histórias da fase de Mark Waid, uma elogiada passagem no maior gibi do mundo – de acordo com Stan Lee – e um bom momento para novos leitores.

Recentemente, dois arcos de Waid foram relançados na coleção de Graphic Novels da Salvat / Marvel: Inconcebível e Ações Autoritárias. Imaginautas marca o início de sua passagem pelo título e demonstra um acerto por parte da editora em lançar um conteúdo diferente ao invés de replicar em outro formato as histórias da Salvat. Reunindo tais arcos, temos metade da passagem de Waid pela revista em compilados.

Primeiros volumes de novos roteiristas sempre seguem um padrão que introduz a narrativa do autor a um novo universo, ao mesmo tempo que incorpora argumentos anteriores, coerentes com a nova visão a ser explorada. Diferentemente de outros roteiristas, Waid não promove uma longa história em sua estreia. Mas se apoia em duas narrativas breves, de uma única edição, para introduzir bases da equipe, e ainda realiza um interessante jogo metalinguístico. Em Virado do Avesso, o grupo constata que está em baixa no mercado de super-heróis e contrata uma nova equipe de marketing para retrabalhar a imagem do Quarteto Fantástico. De certa maneira, o roteiro reflete as passagens de escritores por um título, muitas vezes convidados para alavancar vendas e atrair o público. Neste primeiro momento, Waid deixa de lado o lado heroico e enfoca a família. As brincadeiras entre Johnny Storm e Ben Grimm, o trabalho constante do cientista Reed Richards e como sua obsessão afeta a esposa Sue e seus filhos. Buscando maior responsabilidade para o sempre adolescente Tocha Humana, Sue promove-o, em 24 Quadras e Uma Quina, à equipe financeira da Quarteto Fantástico LTDA. Modificações simples na estrutura narrativa que reforçam a mensagem familiar do grupo, uma vertente existente desde sua criação.

Os Imaginautas configuram a alcunha de equipe pioneira, não apenas por esta ser a primeira lançada pela Marvel, mas também por ser desbravadora de novos mundos e universos. A ficção científica e a aventura sempre foram fios condutores destas histórias. Dividida em três partes, Consciência é um bom exemplo da inovação aventureira, com uma narrativa plausível sobre uma equação viva que deseja encontrar em Richards um igual. Pequenas coisas… também transita neste mesmo tom, sem refletir o ideal realista que foi a base de muitos títulos da Casa das Ideias na última década. Trata-se de uma trama leve de ação e aventura sem um apoio fiel da realidade.

Ao contrário do que informa a contra-capa, a edição reúne os números 57, 60 a 66 – e não 65 – e apresenta uma história curta do roteirista anterior, Karl Kesel, o qual trabalha posteriormente com Waid nos roteiros. Nesta história, Ben Grimm é a personagem central em retorno à mítica Rua Nancy e sua gangue. Em recortes do passado, o histórico pregresso do jovem Grimm é apresentado em contraposição ao presente em que, adulto, retorna ao local para reencontrar um dono de uma loja de penhores, tradicional na região. Uma trama poética que intensifica a vertente familiar e sensível vista, nesse caso, por outro roteirista.

Com 196 páginas e capa cartonada, Imaginautas é um bom ponto de início aos novos leitores e um começo bem acertado ao fugir das tradicionais narrativas longas e situar as personagens em pequenas histórias fechadas, antes de partir para uma grande história. Quarteto Fantástico - Imaginautas