Resenha | Kingsman: Serviço Secreto

Kingsman - The Secret Service

Publicada em junho de 2012 em seis edições, The Secret Service – Kingsman é mais uma história de Mark Millar a sair pelo selo Icon Comics da Marvel, espaço para novas criações dos roteiristas da casa. Assinada em co-autoria com Matthew Vaughn, diretor da adaptação cinematográfica de Kick-Ass, esta nova revista em quadrinhos demonstra o diálogo estabelecido pelo roteirista e diretor. Com a mesma habilidade utilizada em um universo de heróis na vida real, revisitam o thriller de espionagem.

Se o roteirista e o diretor da adaptação são os mesmos, os traços de John Romita Jr. são substituídos pelos de Dave Gibbons, o talentoso e gabaritado profissional responsável pela composição de Watchmen, ao lado de Alan Moore. Um certo paralelismo se mantém em relação a esta nova obra e Kick Ass – Quebrando Tudo. Se a história de Dave Lizeswki demonstrava a influência dos quadrinhos em um adolescente deslocado que decide agir como um super-herói, Kingsman transfere esta tensão para a espionagem, sem perder o humor e a dose de violência gráfica e gratuita.

Millar mantém sua narrativa econômica apresentando diversas situações e desenvolvendo os argumentos narrativos em poucas páginas. Sempre promovendo excelentes diálogos em cena, a obra se aproxima do universo nerd ao retratar ondas de sequestros de atores de filmes e séries reverenciadas, como Star Trek, Star Wars e Battlestar Galactica. O mesmo estilo de personagem adolescente aparece em cena: dessa vez, Gary London é a personagem problemática vivendo em um ambiente hostil com um padrasto agressor, sem expectativas maiores de vida entre um roubo e outro. A única pessoa correta e que lhe presta apoio financeiro anual é o tio Jack, que trabalha em um cargo burocrático do governo. Após mais uma contravenção do garoto, o tio intercede ao seu favor e, além de evitar sua prisão, se revela um espião do governo, recrutando-o para o mesmo treinamento que lhe formou.

Explorar o ambiente investigativo é um argumento carismático que afeta o leitor pela emoção e pela nostalgia juvenil de se imaginar como o próprio personagem (sem dúvida, o universo da espionagem é um dos cenários clássicos para projeções adolescentes). Há precisão narrativa em contextualizar uma situação possível e verossímil como ponto de partida para uma situação extrema e absurda, um equilíbrio perfeito que dá a base da credibilidade e depois empolga com a ação e a megalomania. A figura do tio Jack é a representação realista, enquanto a situação envolvendo o garoto e o caso dos sequestros de famosos representam o excêntrico bem delineado.

Cada edição desenvolve tanto a evolução do garoto como um espião quanto o argumento maior envolvendo um vilão. São cenas pontuais, bem cortadas, trabalhando ao máximo a brevidade das 25 páginas de cada número. As cenas de ação se destacam pela estrutura imagética, que não poupa a violência física e gráfica com sangue, vísceras e afins, expostos explicitamente para intensificar ação à carga dramática.

Comum em transposições entre um formato e outro, a versão cinematográfica mantém a ideia original mas substitui personagens, tirando o laço familiar do adolescente e incorporando-o a outro universo de espionagem inédito, conhecido como Kingsman – ao contrário desta história em que o treinamento é do próprio MI6.

Assim como Kick Ass – Quebrando Tudo, Nemesis e outras histórias fechadas, Kingsman demonstra o talento de Millar em desenvolver novas histórias, longe de personagens com amarras cronológicas, compondo uma história que, além de divertida, é bem trabalhada na composição do argumento, entre crível e fantasioso.

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