Resenha | Shazam! – O Poder da Esperança

A Humanidade trava uma eterna guerra contras as forças soturnas que almejam destruí-la. Durante milhares de anos, empreguei os poderes de deuses e heróis ancestrais na luta pela virtude. Porém, quando meu tempo no plano mortal tornou-se escasso, procurei um novo campeão para me substituir.

O monólogo de Paul Dini no início de Shazam! – O Poder da Esperança resume maravilhosamente bem a busca do mago por um campeão. A arte de Alex Ross torna angustiante a vida do órfão Billy Batson, ainda que brevemente, e dá um tom poético, tornando grandiosos os feitos do personagem mágico. Além disso, ele é tratado como onipresente, já que salva muitas vezes o dia em lugares diferentes, desde momentos mais simples até os mais complexos.

Billy é um radialista, repórter da Radio Whizz em referência a uma das revistas que compilavam as histórias clássicas do personagem (Whizz Comics), e seu dia-a-dia é bem mostrado aqui, variando entre os momentos como civil e super-herói, e nessa dicotomia, se brinca com a situação de onipotência do Capitão e as fragilidades de Billy. É engraçado como mesmo não revelando ser uma criança, ele se torna um exemplo para elas. O Capitão visita um hospital infantil, e suas palavras são encorajadoras. É nesse momento que Ross dá sua versão para a Sociedade do Mal, além de alguns robôs de aspecto retrô, lembrando um pouco Metropolis e Gigante de Ferro, referências que situam o leitor no clima original das histórias que C.C. Beck e Bill Parker pensaram nos anos 1930 e 1940.

Há boas semelhanças com Superman: Paz Na Terra, entre outras coisas, pela grandiosidade dos atos do herói. Por mais que seja forte e poderoso, seu gesto mais notável é o de transportar um médico japonês para operar os olhos da pequena Nádia, uma vez que poucos médicos podem fazer a operação e ela estava frágil demais para viajar. As crianças parecem saber que Shazam é alguém que não esquece como é ser criança.

Shazam! – O Poder da Esperança é uma das historias mais equilibradas entre as figuras do herói e do pequeno Billy e foi lançada pela Editora Abril em 2001 e republicada numa compilação intitulada Os Maiores Super-Heróis do Mundo, pela Editora Panini, que reuniu outras histórias da dupla Alex Ross e Paul Dini.

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