Resenha | Socrates in Love: O Amor Sobrevive ao Tempo

Quem julga este mangá pela capa está cometendo um erro grave. Traço leve, cores claras, casal apaixonado, tudo leva a crer que será mais uma historinha de amor. Não desta vez.

Socrates in Love é uma adaptação em mangá do best-seller homônimo do autor japonês Kyoichi Kakayama. A proposta é mostrar o lado “ruim” do amor, ou seja, o sofrimento e a parda. Não é uma ideia nova, mas é feita de maneira competente. Nas palavras do próprio autor, a ideia surgiu quando se deparou com a seguinte frase em um livro de filosofia: “o amor é uma forma de violência que obriga as pessoas a pensarem”.

Nas primeiras páginas, o protagonista Saku está arrasado porque uma pessoa importante morreu. Isso mesmo, o autor joga na sua cara logo de início e dá o tom da narrativa. Isso poderia tirar o impacto da obra, mas basta lembrar de outros exemplo, como o maravilhoso longa de animação japonesa O Túmulo dos Vagalumes, para saber que, quando a história é bem construída, o impacto virá de qualquer jeito.

A pessoa em questão é Aki, o primeiro amor da vida de Saku. Os dois se conhecem na escola e passam a cultivar uma relação.  Ambos descobrem o amor juntos e se apaixonam cada vez mais. Porém, já sabemos o que acontecerá no final. Mas como acontecerá? Qual será a causa da morte? De que forma ambos lidarão com isso? É nesse ponto que o impacto acontece.

Todos os momentos de alegrias e tristezas são retratados de forma belíssima pela artista Kazumi Kazui. Interessante notar que o traço de Kazui é um meio-termo entre delicado e firme. Os personagens possuem olhos grandes, mas o contorno é um pouco mais grosso, e juntando com a boca, resulta em rostos menos delicados que o padrão. Em contrapartida, isso não mitiga a retratação das emoções, muito pelo contrário. Ao longo da narrativa, há uma montanha-russa de emoções do casal, sejam felicidades grandes, sejam momentos de partir o coração.

A história poderia ser um melodrama apelativo que termina em morte, resultando no impacto pelo impacto. Felizmente, não é o caso. Toda a história é desenvolvida de forma que o leitor criará empatia pelos personagens. As situações banais ajudam nesse desenvolvimento e não se tornam cansativas. Aquele lenga-lenga de casal novo é deixado de lado, muito diferente do que acontece em Ore Monogarati, por exemplo. Por mais que Saku e Aki sejam jovens e estejam descobrindo o amor, existe um toque de maturidade narrativa. A partir da segunda metade do mangá, o clima se torna cada vez mais pesado.

Quando Saku está narrando a história, optou-se pelo fundo preto e letras brancas. Além da óbvia ideia de luto, também podemos interpretar como a ideia de tristeza ou mesmo de um maior teor reflexivo da narração. Por vezes, a narrativa ocupa quadros inteiros ao invés de pequenas caixas dentro da cena. São os momentos que enfatizam mais as emoções do personagem.

Talvez este mangá passe batida por muita gente, ainda mais com a capa “fofa” e o nome “love” no título. O livro original, aparentemente, é desconhecido aqui no Brasil, mas só temos a agradecer à Editora JBC por trazer este mangá para nós.

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