[Resenha] Star Wars – Império Despedaçado

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A partir da compra da Lucas Films pela Disney, um novo universo Star Wars foi promovido, dando nova potência a saga agora comandada pelo estúdio do Mickey nos cinemas e nos quadrinhos pela Marvel Comics. Nas HQs, grandes equipes foram selecionadas para os títulos iniciais como Jason Aaron, John Cassaday, Kieron Gillen, entre outros, demonstrando o cuidado da Casa das Ideias para o vasto universo criado por George Lucas.

Com o lançamento de Star Wars: O Despertar da Força em 2015, apresentando um novo capítulo cinematográfico para a franquia, capítulo aguardando pelos fãs, era natural que produções especiais fossem lançadas em sintonia, unindo uma parcela do público tanto leitor de quadrinhos quanto cinéfilo.

Star Wars – Império Despedaçado foi lançado originalmente entre setembro a dezembro do ano passado em quatro edições especiais com a clara intenção de ser um prelúdio para o novo Star Wars. Tanto que esta edição, bem como o livro Star Wars – Marcas de Guerra, apresentam na capa a chamada de “Jornada  para Star Wars: O Despertar da Força”, pressupondo histórias anteriores interligadas à nova aventura. Um apelo para incentivar a compra da edição. Lançado pela Panini Comics em edição capa dura com roteiro de Greg Rucka e desenhos de Marco Checchetto, esta história está mais próxima de um estratégico produto mercadológico do que uma aventura com bom desenvolvimento narrativo do universo Star Wars em uma nova casa.

Império se inicia após Star Wars – Episódio VII: O Retorno de Jedi, ou seja, com um longo distanciamento temporal entre esta trama e a nova história cinematográfica. Conforme visto no terceiro filme da trilogia clássica, o Império foi derrotado e a Aliança Rebelde comemora a vitória. Porém, devido a extensão do Império, pequenas células ainda resistem sem saber da derrocada do sistema imperial. Neste cenário, a história apresenta dois personagens do fronte de batalha: a piloto Shara Bey e seu marido, Kes Dameron.

A intenção de aproximar espaços-temporais distintos entre uma história e outra promove uma narrativa ineficaz devido a obrigação de mostrar os personagens centrais da trilogia clássica ao mesmo tempo em que desenvolve futuras relações. Rucka seleciona um momento ingrato da cronologia para inserir a trama, suspendendo o desfecho definitivo do Episódio VII para mais uma aventura que, embora potencialmente boa, é desenvolvida de maneira breve e com pouca sustentação.

O enredo evita possíveis conflitos maiores para entregar uma história fácil somente para manter a expectativa do leitor diante do novo filme. Um trama de fôlego curto que se desgasta rapidamente e contém mínimos pontos de conexão entre as histórias (A ligação é apresentar a mãe de Poe Dameron e uma possível influência da força sobre o piloto). A necessidade de ir além das sagas mensais e desenvolver mais um produto explícito para atrair leitores reduziu um bom argumento que poderia ser melhor executado em um futuro do novo cânone ou em um romance. Além da brevidade narrativa, a inserção de todos os personagens fundamentais da saga original prende a trama no limite entre a homenagem e a demanda de agradar aos leitores.

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