Resenha | Star Wars: O Diário do Velho Ben Kenobi

Em 2016 a revista mensal de Star Wars continuava de vento em popa, com boas vendas e histórias conduzidas por artistas renomados, e por mais que não haja tanta interferência na área cinza entre os filmes, que quase não existe  historia – a compreender entre Retorno de Jedi e O Despertar da Força – essa revista e as de Darth Vader são as que mais acrescentam eventos canônicos, mais até que os livros.

A primeira história do ano 2 de Star Wars inédita só ocorre no número 15, antes disso as histórias fazem parte do crossover A Queda de Vader. Esta é uma história do diário do Velho Ben Kenobi, em Tatooine, observando o jovem Luke Skywalker brincando com os pequenos speeders, acompanhado claro de Biggs Darklighter, que futuramente se torna piloto da Aliança Rebelde. Jason Aaron ainda se mantém nos roteiros e essa é desenhada por Mike Mayhew.

Essa história se encaixa entre Vingança dos Sith e Uma Nova Esperança, e é curioso como Obi Wan fica em dúvida sobre o potencial de Luke, se ele seria tão forte na força quanto seu pai, e isso conversa bastante com outras historias do novo cânone, como quando Yoda afirma que preferia que Leia fosse treinada na força e não o garoto, e é difícil não pairar dúvida sobre isso, Kenobi errou antes com o pai, poderia fracassar também com o filho. Da parte narrativa, também vale destacar a paranoia do tio Owen com o jovem, que corre e quase se mata competindo com meninos da mesma idade dele. Aqui, o receio do tio é justificado pela rebeldia do menino, e não por conta do pai dele, que o meio irmão mal conheceu. Talvez a maior diferença, é que Ben diz acreditar que o escolhido seria Luke, e não o pai dele, o que para os fãs da trilogia prequel, é quase pecaminoso.

Mayhew tem um traço característico demais, suas imagens soam muito belas, algumas ficam truncadas, mas os personagens tem uma versão bonita demais, mesmo que não pareçam os atores. As cenas de luta são fluídas demais, no entanto o foco dramático é na rejeição que Kenobi sofre, não que Owen esteja errado em isolar Luke, afinal, para todos os efeitos, o pai do rapaz foi morto pelo antigo jedi louco.

É uma pena que esse arco só seja finalizado na edição 20, 5 meses depois. A primeira  história desses contos do Velho Ben já havia ocorrido em Star Wars #01 a #12, mas especificamente no número sete, mas não tinha um cliffhanger tão evidente quanto nesse. No entanto, o saldo é bem positivo, e é bem válido assistir a relação de camaradagem e desconfiança entre Owen e Ben, com os dois sendo completos opostos e trabalhando juntos somente  quando o intuito é proteger Luke, embora o fazendeiro ainda seja muito medroso e ressabiado e recuse a ajuda do antigo jedi em tudo.

As partes que mostram Luke, pequeno,usando sua nave Skyhooper para ajudar o ataque ao wookie Krrsantan Negro, em uma versão bem mais digna que o Ani de Jake Lloyd em Ameaça Fantasma quando estava em Naboo, impressionante como Aaron é bem melhor nessa pegada de aventura que George Lucas,mesmo que seu projeto seja muito menos audacioso, e essa é a melhor das histórias de todo esse ano de publicações.

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