Resenha | Steins;Gate

Rintaro Okabe, também conhecido como Okarim, é um Jovem excêntrico que se autoproclama como Cientista Maluco, conhecido como Hououin Kyouma, perseguido pela misteriosa Organização por sua grande “influência”. Seu sonho é criar invenções inovadoras para mudar a humanidade e assim se tornar um cientista rico e famoso. Junto a seus colegas de laboratório, Okabe e seus amigos formam a equipe que compõe o Laboratório de Experimentos do Futuro (Mirai Gajetto Kenkyūjo), onde passam grande parte do tempo tentando desenvolver seus inventos. Sua equipe é composta pela carismática Mayuri Shiina, amiga de infância de Okabe e também por Itaru “Daru” Hashida, seu colega da época do colégio. Quando não está no Laboratório, Mayuri trabalha em uma cafeteria local chamada Mayqueen Nyannyan e adora fabricar Cosplay como hobby. Já Daru é um ótimo programador, Otaku e um experiente Hacker. Em resumo, Mayuri é a musa do laboratório enquanto Daru é a mão de obra. A mais recente e promissora invenção do laboratório é o maravilhoso TeleForno, um forno de micro-ondas que pode ser controlado por celular. Mas infelizmente, a única coisa que consegue fazer é congelar comidas frias e transformar bananas em meleca. O TeleForno precisa de mais testes…

Passado em 2010 na cidade de Akihabara no Japão, Steins;Gate conta o decorrer das conseqüências dos experimentos de Okabe, após conhecer Kurisu Mikase, jovem prodígio de uma universidade norte-americana, durante um simpósio científico, onde acaba encontrando a jovem morta de maneira misteriosa. Ao tentar contatar Daru, Okabe sente uma presença misteriosa, e descobre que sua realidade não é mais a mesma de segundos atrás. As pistas começam a aparecer quando um satélite aparece misteriosamente no prédio onde o simpósio aconteceria, e também quando a jovem Kurisu aparece viva bem na sua frente. Juntando as informações, Okabe e sua equipe (agora composta por Kurisu, apelidada de Cristina por Okabe) descobrem que qualquer aparelho telefônico ligado ao TeleForno acaba se tornando chave para o que vem a se tornar uma espécie de Máquina do Tempo, capaz de enviar uma mensagem para o passado, sendo possível modificar acontecimentos específicos e assim mudar o futuro, o atual presente dos personagens. Okabe também descobre que apenas ele possui a habilidade de se lembrar dos acontecimentos anteriores às mudanças feitas pelas mensagens, podendo identificar as diferentes linhas de tempo, o que o faz chamar sua habilidade de Reading Steiner.

Tentando adquirir mais informações sobre o funcionamento da mensagem enviada para o passado, algumas experiências são realizadas, mas apenas Okabe parece capaz de observar as mudanças, sendo assim cada vez mais complicado de os resultados serem analisados, até mesmo quando as pesquisas de Daru descobre o envolvimento de um possível projeto da SERN, uma entidade governamental, sobre o mesmo assunto. Moeka Kiryū, uma moça que não desgruda de seu celular, tropeça com Okabe durante o incidente do simpósio enquanto procura pelo mesmo computador, se juntando ao grupo na esperança de conseguir a máquina para poder estudá-la. Nesse tempo, Mayuri descobre que a família de sua colega de trabalho, Feiris Nyannyan, uma menina que adora a cultura otaku de Akihabara, havia doado esse computador anos atrás para o templo local, templo este onde mora um amigo dos parceiros do Laboratório, o jovem Ruka Urushibara, um garoto freqüentemente confundido com uma garota por sua aparência andrógena e personalidade dócil e sensível. Ao conseguir o computador, os documentos são decifrados, e logo é descoberto que o TeleForno poderia ser a chave que todos procuram.

Lançado em 2009 para o Xbox, o jogo em forma de visual novel Steins;Gate foi adaptado por Yomi Sarachi para Mangá no mesmo ano com 3 volumes, com uma arte limpa e simples que parece bem fiel a arte do jogo ao qual se baseia, também ganhando duas continuações por outros autores, uma adaptação em Anime em 2011 com 24 episódios, e um longa animado em 2013. Mesmo sendo personagens carismáticos no jogo, e aparentemente, mais explorados no anime, o mangá deixar claro quem são os personagens principais, pois sua trama é centrada na relação entre Okabe e Kurisu, e, mesmo assim, parece apressado demais em seu desenvolvimento. Com enredo denso e complicado, e mudanças bruscas em certos pontos da estória, o mangá tem problemas sérios em alguns núcleos, deixando os personagens secundários em um segundo plano tão forte que quase parecem desaparecer, aparecendo apenas em momentos chave para a estória avançar. A velha técnica do “ele estava aqui o tempo todo, você apenas não tinha percebido”.

A trama ainda contém traços semelhantes ao do filme Efeito Borboleta, de 2004, porém evoca uma premissa mais voltada à ciência do que para o sobrenatural. Talvez seja também adequado comparar com o enredo do conto “O som do trovão” (1953), de Ray Bradbury, que também possui a premissa de que uma mudança feita no passado modifica a linha temporal presente, por menor que elas sejam, envolvendo os personagens em diversas ocasiões em que seria necessária uma visita ao passado para tentar modificar algo que teria dado errado causando uma mudança drástica em seus futuros, assim sendo necessária uma nova viagem para concertar os acontecimentos divergentes. E, assim como no conto e no filme de 2004, pesar de também presente o fenômeno conhecida como Paradoxo Temporal, (fenômeno que teoriza a viagem do tempo se tornando nula uma vez que ela é feita apenas para mudar um evento, pois, assim que o evento é desfeito, a viagem se torna desnecessária), este não parece afetar o personagem principal, dando assim maior conexão deste com a estória e as viagens que são feitas ao longo do enredo. Apesar das semelhanças, as motivações dos personagens são claramente diferentes, porém, uma obra não anula a outra, talvez uma pessoa se identifique mais com a história japonesa de enredo científico, talvez o romance fantástico sobrenatural de 2004 seja mais atraente, ou quem sabe o inventivo conto de Bradbury seja ainda mais interessante.O Mangá de Steins;Gate foi publicado no Brasil em 2015 pela Editora JBC também em 3 volumes.

Texto de Bruno Gaspar.

Facebook – Página e Grupo | Twitter Instagram | Spotify.