Resenha | Thanos: Em Busca de Poder

Em 1993 foi lançado Thanos: Em Busca de Poder, com roteiro de Jim Starlin, arte de Ron Lim, arte-final de John Beatty e cores de Tom Vincent. Thanos é descrito como herdeiro dos deuses do Olimpo e personificação do Mal. Aqui já se assiste Thanos munidos das jóias do infinito, chamadas no Brasil à época de jóias espirituais, além é claro do enlace pretendido pelo personagem junto à Morte.

Na trama, acompanhamos Thanos indo em alguns planetas, vencendo seus campeões e subjugando-os, em uma fórmula bastante comum a outros quadrinhos de ficção cientifica, funcionando quase como um road movie no espaço. O vilão encontra ainda o Colecionador e seu irmão, Grão-Mestre, e consegue as jóias desses cada um à sua maneira. Depois disso, há uma exposição do poder e capacidades que cada joia confere ao seu usuário, e esse exercício, apesar de um pouco explanativo, funciona bem na ambientação do leitor na história, mesmo ao que não acompanha anos e anos de cronologia da editora.

A arte de Lim ensoberbece a obra, por conseguir mostrar em poucos quadros toda a magnificência de Thanos em busca de conseguir os artefatos mágicos, que lhe confeririam poder. Seu traço favorece muito os personagens corpulentos, e as lutas que eles travam com o titã são muito gráficas e dinâmicas. A saga foi lançada no Brasil nos anos noventa em duas edições, ainda pela Editora Abril e recentemente está em um encadernado com sua sequência, Desafio Infinito, lançado pela Panini, e mesmo como aventura solo, funciona a perfeição no quesito diversão, já sua sequência só é completamente compreensível após ler essa historia.

Apesar de breve, Thanos: Em Busca de Poder revela muito, tanto da criação de Starlin em ação, quanto do vazio emocional do personagem. Aqui se estabelece que sua solidão é enorme, e que mesmo com a vitória poderosa que teve sobre seus antagonistas, sobrou a si a rejeição de sua amada, fato que ajudaria a compor a mitologia da vindoura Trilogia do Infinito, e que teria seu auge melancólico aqui. Apesar de Thanos ser um personagem odioso, há uma empatia clara entre ele e os leitores, principalmente por conta de sua personalidade forte e a sua busca fracassada por agradar o seu par, como também pela sua trajetória amarga e bastante adulta dentro do universo dos quadrinhos mensais de super-heróis.

Compre: Desafio Infinito (Thanos: Em Busca do Poder incluso no encadernado).

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