Resenha | The Legend of Zelda: Ocarina of Time – Perfect Edition

Quando falamos de Zelda, um dos primeiros jogos que vem na mente é o clássico Ocarina of Time, talvez o título mais querido pelos fãs. Lançado em 1998 para o Nintendo 64, o jogo trouxe muitas inovações e aspectos técnicos impressionantes para a época que influenciam até hoje. Na mesma época, o autor Akira Nimekawa foi convidado para tomar à frente da produção de uma adaptação em mangá. E assim nasce uma belíssima obra.

O traço do artista é muito bonito e traduziu bem o espírito do jogo, com diversos quadros retratando fielmente trechos do cenário criado no videogame. O trabalho de Himekawa era desconhecido até tomar contato com a obra, em razão disso, pude constatar que, na verdade, trata-se de um pseudônimo adotado por uma dupla de mulheres: A. Honda e S. Nagano. As talentosas artistas fariam ainda outras adaptações da série Zelda para os mangás.

Na trama, o povo kokiri vive tranquilamente na floresta. Eles são eternas crianças acompanhados de uma pequena fada, exceto o garoto Link… até o dia em que a Grande Árvore Deku, uma espécie de sábia guardiã da floresta, envia a tagarela fada Navi para convocar o herói à sua presença. Ali, diz ao garoto que um grande mal se avizinha de Hyrule, e ele está destinado a combater este mal.

Até aqui, nenhuma surpresa, parece uma história bastante comum de aventura. E de certa forma, é. O grande mérito vem nos outros elementos que compõem a trama. Existem boas reviravoltas, mistérios sobre a origem de Link e seu desenvolvimento na trama, além de uma bela construção de mundo.

Devemos lembrar que, no jogo, Link não fala. Com isso, precisou-se criar uma personalidade para o herói. No mangá, Link é bem falante, com personalidade formada e muito destemido. Foi uma boa tradução do herói mudo do jogo para uma obra com muitos diálogos. E diferente do que você possa esperar, este mangá contém muito texto. Vale destacar que alguns termos foram mantidos em inglês, como triforce, Master Sword e o próprio título da obra. Outros foram traduzidos normalmente, e o resultado final é bastante satisfatório.

Daí alguns se perguntam: o mangá substitui a experiência do jogo? De forma alguma. Os jogos de Zelda tem como principal atrativo a aventura e os quebra-cabeças a serem resolvidos. Por mais que a história seja bacana, o maior valor do jogo está na experiência de jogabilidade. E mesmo que o foco do jogo fosse na história, uma adaptação em quadrinhos acabaria deixando vários pontos de lado em prol da adaptação (vide as HQ de Metal Gear, por exemplo).

A edição publicada pela Panini é belíssima, quase 400 páginas, algumas coloridas, papel de qualidade e acompanhado de um marcador de páginas muito legal. Um item que vale cada centavo, especialmente para os fãs de Zelda. Quem não jogou, tudo bem, pode ler sem medo e aproveitar uma aventura divertida e bem contada.