Resenha | Universo DC: Renascimento

Após o fim da fase conhecida como Novos 52 e uma breve passagem como DC & Você, a Editora das Lendas resolveu passar um pano em suas publicações, porém sem a obrigatoriedade de um novo reboot. Assim, teve início uma nova fase editorial que prometia trazer de volta toda a grandeza de seus mais icônicos personagens, e seu pontapé inicial deu-se com a publicação do especial Universo DC: Renascimento. Assim, todas as publicações posteriores carregariam o selo “Renascimento” nas capas, e deveriam acertar os ponteiros da bagunçada cronologia da editora.

O especial em si não traz exatamente uma história, mas apresenta os rumos que o Universo DC iria tomar a partir desse ponto. A história começa com uma clara referência à clássica graphic novel de Alan Moore e Dave Gibbons, Watchmen, que até então nunca havia sido parte oficial do Universo DC (coisa que, alguns anos depois do lançamento desse especial, já sabemos que se alterou). Temos uma narração em off de uma figura misteriosa que parece observar de fora os acontecimentos recentes, e vemos o Batman em sua soturna caverna tentando desvendar o mistério que lhe fora parcialmente revelado em uma saga anterior, a ideia de que existem três Coringas no mundo. Logo descobrimos que o observador (e narrador) misterioso é ninguém menos que Wally West, o terceiro Flash, em sua clássica versão anterior ao reboot. Wally parece estar preso no tecido entre as realidades, e ao se revelar ao Homem-Morcego, começa a desaparecer na Força da Aceleração, pois Batman não se lembra dele.

Vemos então uma recapitulação da origem de Wally West, com direito a lembranças da primeira formação da Turma Titã e da morte de Barry Allen em Crise nas Infinitas Terras, além de boa parte da aclamada (e negligenciada pela editora) fase do roteirista Mark Waid pelo título do personagem. Wally então percebe toda a mudança ocorrida no evento Ponto de Ignição (Flashpoint), que deu origem ao reboot do universo, e sente que dez anos foram apagados da história.

A história começa então a nos mostrar pequenos eventos acontecendo com alguns personagens-chave, como Jonny Trovoada, Satúrnia, Átomo e seu pupilo, além de mostrar Ted Kord vivo e sendo mentor de Jaime Reiyes como Besouro Azul. Ficam também estabelecidos conceitos como a sexualidade de Aqualad, a idade do Robin (13 anos), e o início do relacionamento amoroso entre Arqueiro Verde e Canário Negro. Vemos também a personagem Pandora (que permeava toda a fase dos Novos 52) ser desintegrada num beco por uma figura misteriosa. Wally chega à conclusão que, além do tempo, o amor também foi roubado desse universo e sai à procura de Linda Parker, sua esposa na linha temporal anterior. Após muitas idas e vindas, Wally consegue fazer com Barry Allen se lembre dele, o retirando da Força da Aceleração segundos antes de seu completo desaparecimento.

A história deixa então várias pistas do que viria a acontecer na editora nos anos vindouros. Batman encontra o bótom do Comediante (de Watchmen) na parede da Batcaverna após reler a carta de Thomas Wayne, ou melhor, de sua versão do Flashpoint. Isso e outros acontecimentos teriam repercussão mais pra frente, e o final da edição reproduzindo o diálogo entre o Dr. Manhatan e Ozzymandias preparam o caminho para a saga que possivelmente vai redefinir novamente a editora, a vindoura Doomsday Clock.

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